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Dízimo Mês de
Fevereiro 2012.
Dizimistas que Devolveram:.......................................523 Dizimistas que
não
Devolveram:........................... 720
Total de Dizimistas:............1.243
Total de Receitas:..................9.844,50
Média:.....................................7,91
Aceita, Senhor, como meu dízimo, a minha
gratidão.
Quero ser membro ativo da tua Igreja.
O Senhor me dá tantos dons, a começar pela
própria vida.
Eu quero devolver um pouco, em forma de serviço
e de oferta.
Aceita, Senhor, o meu desejo de participar na
missão da Igreja, de santificar, de ser anúncio
da Boa Nova, de transformar o mundo para ser de
Deus e agradável a todas as pessoas. Aceita,
Senhor, minha oferta, fruto do meu trabalho e
sacrifício de cada dia.
Maria, Mãe de Jesus e nossa, conceda-me a força
de perseverar e de animar outras pessoas a serem dizimistas, a comprometer-se efetivamente com o
Reino de Deus. Amém!
O QUE É DÍZIMO?
O dízimo, bem entendido, exclui o egoísmo e
integra o amor, gratuidade, e deve ser buscado
com desejo constante, ou seja, sentir a vontade
e o amor em participar de coração do dízimo que
é Fonte de graça, sinal de comunhão com Deus.
"Fazei a experiência - diz o Senhor dos
exércitos - e vereis se não vos abro os
reservatórios do céu e se não derramo a minha
benção sobre vós muito além do necessário" (Mal.
3,10). Só é possível entender o dízimo como
fonte de graças, quando fazemos a experiência
com Deus. E, torna-se realmente fonte de graça,
porque é feito no templo, diante do altar, em
uma celebração: "Pagai integralmente o dízimo
no tesouro do templo." (Mal. 3,10). O dízimo
no tesouro do templo é, para nós, o dízimo
diante do Sacrário, ao "pé do altar", a fim de
que seja sinal de comunhão com Deus, porque é
dentro do templo que estaremos participando
dessa comunhão; com a Palavra de Deus, e com a
Eucaristia de Jesus Cristo.
O DÍZIMO
é uma devolução a Deus do que ele mesmo nos dá.
Deve ser feito com amor, "sem segundas
intenções", sem exigir que a Igreja realize
obras para incentivar a participação. Mostrar
obras é próprio de políticos, não da Igreja.
Devemos participar do dízimo com apenas um
sentimento - "Entrar em
comunhão com Deus,
participar de seu plano de salvação e estar em
comum -união com a comunidade. O dízimo é
pessoal, não deve ser visto como troca, mas sim
"eu e Deus". Eu devolvo a Deus, faço a minha
parte, sem me preocupar com o que vai ser feito
do meu dízimo. Deus faz a parte dele, que é a
orientação das pessoas que irão trabalhar nesta
pastoral, para que o dinheiro seja empregado na
evangelização e nos custos da Igreja,
obedecendo-se as três dimensões importantes:
1-
Dimensão Religiosa:
manter todos os gastos da Igreja; salários,
folhetos litúrgicos, velas, despesas com água e
luz, materiais de limpeza, etc.
2-
Dimensão Missionária:
investir nas diversas pastorais da Igreja; dos
jovens, da família, dos idosos… e na formação de
novos catequistas, líderes, etc.
3-
Dimensão Social:
investir em obras de caridade, ajudar aos mais
necessitados cesta básica, remédios, etc.
Dízimo é simplesmente fazer uma experiência com
Deus. Quando nos permitimos ser conduzidos pelo
Senhor, tudo acaba bem em nossa vida. È isso que
está faltando às pessoas - fé - entregar-se a
Deus e tê-lo como primeiro plano de vida. Dízimo
é entrar em comunhão com Deus e partilhar, mas,
para chegarmos a isso, precisamos educar a fé.
Uma fé educada impulsionada e bem orientada gera
dizimistas para toda a vida; nada vai abalar a
sua oferta e fazer os desistir de participar da
casa de Deus.
PASTORAL DO DÍZIMO
Pastoral do Dízimo é o serviço organizado, em
nível de comunidade e paróquia, para que o
Dízimo seja compreendido em seu verdadeiro
sentido, esteja bem organizado e dê os recursos
financeiros necessários para o trabalho de
evangelização.
A Pastoral do Dízimo tem dois tipos de metas.
O que é meta? Meta é um "ponto" que a
comunidade ou a paróquia quer atingir, num certo
período de tempo, e que seja possível de ser
atingido com o trabalho planejado e a
participação de todos. As duas metas da Pastoral
do Dízimo são: de educação e financeiras.
METAS DE EDUCAÇÃO
As metas de educação da Pastoral do Dízimo são
duas. A primeira é ajudar os católicos, que já
participam da comunidade e os que dela se
aproximam, a
perceberem e assumirem o Dízimo como sinal de
gratidão a Deus, compromisso de fé e expressão
de partilha e solidariedade, na certeza de que
Deus é o Senhor da vida e dos bens.
A segunda meta de educação do dízimo é
ajudar os católicos
a fazerem gestos de partilha, segundo suas
condições de vida e de bens que Deus lhes
proporciona, através de festas, promoções,
campanhas etc. Estas iniciativas,
organizadas de forma comunitária, educam para a
partilha.
METAS FINANCEIRAS
A Pastoral do Dízimo também tem metas
financeiras.
Primeira meta financeira é
reunir através do
dízimo, oferecido pelos católicos, os recursos
necessários para as despesas ordinárias da
comunidade e da paróquia. O dinheiro de
ofertas, festas e promoções destinam-se, regra
geral, a despesas extraordinárias da comunidade
e da paróquia. O que são despesas ordinárias?
São as despesas normais e fixas para manter os
serviços da paróquia e comunidade (funcionários,
secretaria, doméstica, côngrua, material,
equipamentos de catequese e formação, carro,
combustível, trabalho com os mais pobres...).
Despesas extraordinárias são despesas com
construções novas, grandes reformas, imprevistas
ou ajudas a comunidades pobres para construir
seu local de encontros etc.
1ª
A primeira meta
financeira - O Dízimo quer reunir os recursos
necessários para as despesas ordinárias,
previstas no orçamento paroquial.
2ª
A segunda meta financeira é fortificar os
recursos ordinários, para que a comunidade e a
paróquia tenham condições de desenvolver melhor
o trabalho de promoção dos pobres. Parte do
Dízimo,
conforme a Bíblia deve ser destinado para a
promoção dos pobres. Por isso é necessário
aumentar os recursos do Dízimo e destinar parte
deles ao serviço dos pobres.
3ª
A terceira meta financeira da Pastoral do Dízimo
é continuar progredindo para que a comunidade e
a paróquia possam ajudar uma comunidade e/ou
paróquia mais pobre (comunidade-irmã), e ter
melhores condições para a conservação do próprio
patrimônio. Recursos extraordinários são
recursos advindos de festas, promoções,
campanhas, rendimentos patrimoniais etc. As
metas da Pastoral do Dízimo e das ofertas não
são pequenas. A comunidade e paróquia devem
planejar, cada ano, para ver o que fazer para
alcançar as metas financeiras do Dízimo de forma
crescente. A Comunidade e paróquia que não
estabelece metas na Pastoral do Dízimo terá
dificuldades em progredir na sua organização
financeiro-comunitária, de forma sólida.
ORGANIZAÇÃO
DO DÍZIMO
Junto com o trabalho de fazer compreender as
metas de educação e as metas financeiras do
Dízimo, a Paróquia e Comunidade devem ter
orientação clara e comum sobre a forma de
organizar o Dízimo. A boa organização do Dízimo
exige uma equipe de Pastoral do Dízimo em cada
Comunidade e uma Equipe Paroquial do Dízimo. O
que deve fazer a Equipe de Dízimo da Comunidade?
O que compete à Equipe Paroquial do Dízimo?
Primeiro destacamos o que compete às duas
equipes (da comunidade e da paróquia), e depois
identificamos as atribuições específicas de cada
equipe em particular.
EQUIPES DA PASTORAL DO DÍZIMO
As equipes de Pastoral do Dízimo da comunidade e
da paróquia devem:
1-
Conhecer o sentido bíblico do Dízimo, a
organização do Dízimo e a maneira de fazer o
orçamento comunitário paroquial. Outros
subsídios podem ser buscados.
2-
Dar o exemplo de dizimista consciente, fazendo a
renovação do seu dízimo.
3-
Atender os dizimistas em dias de celebração (na
comunidade) e na secretaria, durante a semana,
de forma atenciosa, orientadora e permanente.
4-
Todos os membros da equipe trabalhem juntos e de
forma organizada, falando a mesma linguagem e
seguindo a mesma orientação.
5-
È bom que alguém da equipe (se possível) tenha
experiência administrativa ou contábil.
EQUIPE PAROQUIAL
Assessorar, orientar e animar cada comunidade da
paróquia para que constitua a sua Equipe de
Pastoral do Dízimo.
1-
Ajudar a organizar, com o Conselho Financeiro
Paroquial, o orçamento paroquial de forma
participativa e solidária.
2-
Orientar as comunidades sobre o recebimento, o
registro (fichário, recibos) e a prestação de
contas do Dízimo. A Diocese oferece modelos.
3-
Fazer a prestação de contas do Dízimo paroquial
às comunidades através de publicação mensal do
balancete e da prestação de contas na secretaria
paroquial.
4-
Oferecer subsídios sobre o Dízimo às comunidades
e fomentar processo de avaliação e animação
permanente do Dízimo.
5-
Encaminhar todos os meses a contribuição da
Paróquia à Diocese, bem como a documentação
contábil e administrativa.
EQUIPE DA COMUNIDADE
- Organizar e manter o serviço de atendimento
aos dizimistas na Comunidade, especialmente
antes e após cada encontro e celebração, em
local visível e confortável (ao menos com uma
mesinha e cadeira para sentar).
- Manter registro atualizado das contribuições
dos dizimistas (fichário) e do documento de
devolução (carnê ou envelope).
- Fazer prestação de contas mensal do Dízimo na
Comunidade, sempre com brevíssima mensagem
positiva, valorizando os passos já dados e o
crescimento feito nas metas financeiras e
educativas da Pastoral do Dízimo.
- Participar da elaboração do orçamento
paroquial e manter em dia a contribuição mensal
com a Paróquia.
- Rezar periodicamente a oração do Dizimista na
Comunidade.
- Manter contato e acompanhamento aos
dizimistas, indo a seu encontro, especialmente
quando parecem estar se afastando da vida
comunitária, ou estão afastados da comunidade.
INSTRUMENTOS DE CONSCIENTIZAÇÃO
Algumas atitudes concretas da Comunidade podem
contribuir para o crescimento permanente da
consciência do Dízimo e do seu melhor
funcionamento. Lembramos alguns instrumentos de
conscientização, que devem ser usados:
*Ter um local visível e acolhedor, de fácil
acesso, para atendimento dos dizimistas, e
recebimento do Dízimo, especialmente antes e
após cada celebração e encontro comunitário, ou
na secretaria.
*Incluir, periodicamente, a motivação sobre o
sentido do Dízimo nas celebrações (preces,
ofertório...), na catequese, nas reuniões das
coordenações, nos encontros paroquiais e da
comunidade, oferecendo subsídios...
*A comunidade se faz presente na vida do
dizimista (lembrar aniversário natalício, de
casamento, de batismo, fazer visitas, enviar
mensagens de Natal, Páscoa... divulgação do nome
dos dizimistas no rádio (no interior)
*Prestar contas, todos os meses, do movimento do
Dízimo na Comunidade, sempre valorizando os
dizimistas e as metas que estão sendo
alcançadas, e lembrando as metas ainda não
alcançadas.
*Ir ao encontro dos dizimistas que atrasam a
devolução do dízimo ou se afastam da Comunidade,
fazendo uma motivação personalizada.
*Preparar pequenos folhetos, volantes e
subsídios e oferecê-los, periodicamente, a todos
os dizimistas.
*Rezar e divulgar a Oração do Dizimista em todas
as ocasiões possíveis e oportunas.
SER DIZIMISTA
|
01 |
O dízimo é o reconhecimento de que
tudo pertence a DEUS. Contribuir com
o dízimo é reconhecer que tudo o que
somos e temos, tem um único dono:
DEUS. Tudo, na verdade, pertence a
ELE. Nós apenas administramos o que
Dele Recebemos. |
|
02 |
O dízimo é devolução e não
pagamento. Contribuir com o dízimo,
é devolver a DEUS uma pequena parte
do muito que ele nos dá. A graça de
Deus não tem preço. Nem todo o
dinheiro do mundo pode comprá-la.
Portanto, o Dízimo não é pagamento,
mas sim devolução. |
|
03 |
O dízimo é uma atitude de amor.
Contribuir com o dízimo é uma
atitude de amor, que brota do
coração de quem sabe ser grato para
com Deus. O dízimo perde a sua razão
de ser, quando ofertado pôr medo,
interesse ou superstição. |
|
04 |
O dízimo é partilha que vence o
egoísmo. Contribuir com o dízimo é
abrir o coração e a vida,
partilhando o que se tem, mesmo
quando se tem pouco. Só que é
generoso dá o dízimo. O egoísta não
sabe ser grato e nem conhece o valor
e a alegria da partilha. |
|
05 |
Com o dízimo, ajudamos a Igreja a
cumprir sua missão. Contribuir com o
dízimo é participar da grande missão
da Igreja, a evangelização. Quem
oferta o dízimo com consciência e
fé, torna-se evangelizador, mesmo
que não possa ou não saiba anunciar
a palavra de Deus. O próprio ato de
contribuir com o dízimo, já é um ato
evangelizador. |
|
06 |
Pelo dízimo a comunidade celebra a
vida e a fé. Contribuir com o dízimo
é ajudar a manter e cuidar da
Igreja, a casa de oração da
comunidade, é com o dinheiro do
dízimo que se compram as velas para
o altar, os cálices, os cibórios, os
livros e folhetos litúrgicos. |
|
07 |
Pelo dízimo a comunidade se torna
catequizadora. Contribuir com o
dízimo é assumir o compromisso de
instruir na fé as crianças, os
adolescentes, os jovens e os
adultos. Quem dá o dízimo, auxilia
na compra de manuais de catequese,
giz, livros de formação, etc. Uma
comunidade dizimista é uma
comunidade catequizadora. |
|
08 |
Pelo dízimo os pobres são assistidos
e promovidos. Contribuir com o
dízimo é colocar-se à disposição dos
mais pobres, vendo neles o próprio
Jesus. Em cada comunidade, uma parte
do dízimo é aplicada em favor dos
mais carentes eles tem direito ao
nosso amor e nossa solidariedade. |
|
09 |
Pelo dízimo o cristão se sente
co-responsável pela sua comunidade.
Contribuir com o dízimo é sentir-se
co-responsável pôr tudo o que diz
respeito a Igreja. Formamos um só
corpo e não podemos viver separados
uns dos outros. É juntos que devemos
assumir os encargos e
responsabilidades de nossa
comunidade. |
|
10 |
O dízimo é uma fonte de bênçãos.
Contribuir com o dízimo é ficar
aberto a ação de Deus, que retribui
a quem sabe ser justo e generoso. O
dízimo é uma via de mão dupla. à
medida que somos generosos, Deus
também é generoso conosco. Só
podemos receber, quando a porta do
nosso coração se abre para dar. |
O "DÍZIMO" E A IGREJA (1º parte)
NOS PRIMÓRDIOS
A Igreja está preferindo o uso do "dízimo" em
lugar da "espórtula", do latim "sportula", que
significa cesto. Os Israelitas
entregavam ao sacerdote as primícias num cesto e
no altar:
"...tomarás as primícias de todos os frutos que
recolheres do solo que Iahweh teu Deus te dará
e, colocando-as num cesto, irás ao lugar que Iahweh teu Deus houver escolhido para aí fazer
habitar o seu nome. Virás ao sacerdote... O
sacerdote receberá o cesto da tua mão,
colocá-lo-á diante do altar de Iahweh... e te
prostrarás diante de Iahweh teu Deus" (Dt
26,2-11).
O fato de ser exigida a entrega “ao sacerdote, no lugar que
Iahweh teu Deus houver escolhi-do para aí
habitar o seu nome”, que “colocá-lo-á diante do
altar” (Dt 26,2-4), e “te prostrarás diante de
Iahweh teu Deus” (Dt 26,11), deixa claro que se
trata de culto com ritual próprio (Dt 26,1-11).
Tem um sentido profundamente religioso que nos
escapou. Esse uso passou para o Cristianismo,
motivo porque, no Ofertório da Missa, o
“Lava-Mãos” e a “Oração sobre as Oferendas”, são
como que resquícios ou vestígios do manuseio do
cesto pelo sacerdote. Eram oferendas espontâneas
e voluntárias (2Cor 9,7), inexistindo no Novo
Testamento qualquer manifestação a respeito do
“dízimo” seja aconselhando-o, seja condenando-o.
Cristo referiu-se a ele algumas vezes e somente
quanto ao seu uso entre os judeus (Lc 11,42,
par.; 18,12). Mas, determinou que “o trabalhador
tem direito ao seu salário” (Mt 10,9-10),
seguido por São Paulo (1 Cor 9,13-14). Com o
tempo as pri-mícias foram substituídas por
dinheiro e receberam o nome de espórtula, e
assim existem até hoje em alguns lugares. O uso
desta denominação exigia sempre a explicação de
que não era “pagamento”, mas uma oferta que se
fazia e que Jesus determinara que o sacerdote
“deveria viver do altar”. Acontece, porém, que,
apesar das explicações dadas, a circulação de
dinheiro na Igreja sempre trouxe clima não muito
salutar.
HOJEAté bem pouco tempo o Quinto Mandamento da Igreja
determinava: "Pagar o dízimo segundo o
costume."
A expressão "segundo o costume" caracteriza bem
que a denominação "dízimo" permaneceu em uso,
mas o que se ofertava era a espórtula, e em
dinheiro. Criou-se uma espécie de "taxa" para o
cerimonial litúrgico, e a simples referência ao
nome "dízimo" nos leva a perceber a continuidade
do sistema israelita. E a delimitação "segundo o
costume" não mais o fixa nos dez por cento
tradicionais, a décima parte, como era na
origem. Essa denominação passou a soar como
pagamento ou retribuição por um serviço ou
benefício prestado, o que se torna muito
constrangedor, pois o Sacramento não tem preço
ou valor monetário que lhe corresponda. Também
não é serviço que se presta que deva ser pago,
não é comércio ou troca, "toma-lá-dá-cá".
Grave é o fiel perder o sentido da sua
participação religiosa e desempenhar o papel
meramente passivo. Torna-se “mero assistente”, o
“pagante”, “o dono da festa”, “detentor de
direitos, podendo exigir o que queira, mesmo em
detrimento das necessidades espirituais da
comunidade eclesial”. Não participando do ato,
tudo lhe é místico e mágico, mais supersticioso
que cristão. Pior que tudo é a indiferença e
frieza ao ritual litúrgico, como se nada
significasse, sentido-se até mesmo aliviado ao
terminar. É que, com o desenrolar da História, e
por causa de várias transformações havidas, bem
como incompreensões e perseguições, os
fundamentos teológicos das oferendas, e dentre
elas do "dízimo", se perderam. Hoje, ocorrendo o
mesmo fenômeno de esvaziamento com alguns
Sacramentos, a Igreja passou a exigir cursos até
mesmo dos pais e padrinhos de Batismo,
Matrimônio, Crisma, numa espécie de reciclagem,
como se diz atualmente, para a retomada dos
conhecimentos religiosos esquecidos. Quando ao
"dízimo", vigora o recém-promulgado Catecismo da
Igreja Católica, 2.ª parte do n.º 2043, do Texto
Latino (cfr. a publicação portuguesa), segundo a
qual:
"O quinto preceito (= contribuir
para as despesas do culto e para a sustentação
do clero segundo os legítimos usos e costumes e
as determinações da Igreja), aponta aos fiéis a
obrigação de, conforme as suas possibilidades,
"prover às necessidades da Igreja, de forma que
ela possa dispor do necessário para o culto
divino, para as obras apostólicas e de caridade
e para a honesta sustentação dos seus
ministros".
(Editora Gráfica de Coimbra, tradução do texto
latino oficial; destaques propositais)
Este dispositivo dá à oferenda uma dimensão não mais
limitada seja na quantidade, seja nos usos e
costumes. Sua dinâmica obrigatória é conforme a
consciência eclesial de cada fiel e a equação:
"conforme as possibilidades de cada fiel e
conforme as necessidades da Igreja". As
"necessidades da Igreja" são dimensionadas
genericamente em o "necessário para o culto
divino, para as obras apostólicas e de caridade
e para a honesta sustentação dos seus
ministros". Com isto, abre os mais amplos
horizontes e com dinâmicas expressões, que
escapam ao então ultrapassado e impróprio termo
"dízimo", a "décima parte". Necessariamente se
impõe um novo nome e mais apropriado: usaremos
aqui oferendas.
AS OFERENDAS E A RELIGIÃO ISRAELITA
É de César Cantu a frase: "Povo que não conhece a sua
história é navegante que navega sem rumo".
Quando se perde o liame da história da instituição cai-se
na rotina e se desliga do sentido original. O
rito perde o princípio que lhe serviu de
fundamento e coesão estrutural, passa-se então a
seguir a “letra que mata” e não o “espírito que
vivifica” (2Cor 3,6). Impõe-se por isso a
pesquisa no Antigo Testamento da instituição das
oferendas entre os israelitas. Para isto teremos
de registrar fatos conhecidos correndo o risco
da prolixidade. Mas, para não ocasionar saltos
no raciocínio preferimos correr o risco.
Registramos o que já é do conhecimento geral
para manter o seqüência do pensa-mento e a
coerência das conclusões.
O que atualmente entendemos como religião tinha o nome de
aliança entre os israelitas. Aliança de
exclusiva iniciativa de Deus, contraída
inicialmente com Absacrifício (Gn 12,8b; 26,25;
28,17-22), centro gravitacional do culto desde
então. De Jacó veio o Povo de Israel, formado
pelas doze tribos oriundas de seus doze filhos.
Moisés confirma e repete essa Aliança com o Povo
de Israel no Monte Sinai, selando-a também com o
sacrifício (Gn 24,1-8), que se torna o centro
essencial dela, e o seu culto significava e
atualizava a união de Deus com todo e cada um do
então já Povo de Iahweh. Institui-se o
sacerdócio, pois onde não há sacerdócio não há
sacrifício e onde não há sacrifício não há
sacerdócio (Hb 8,3): Iahweh após a Páscoa
institui o sacerdócio de Aarão (Ex 28-29).
AS OFERENDAS E O "DÍZIMO"
Não se pode confundir o Dízimo dos Israelitas com o
mencionado em Gn 14,20 ou Gn 28,22, nem com o de
outros povos, praticados em reconhecimento por
algum benefício recebido. Aquele, o Dízimo dos
Israelitas, é a entrega a uma parte da Tribo de
Levi da parcela que lhe coube como herança na
Terra Prometida (Nm 18,20-24), já que não
recebeu uma parte da terra objeto da conquista a
que teria direito. Também, a outra parte da
mesma tribo, a Casa de Aarão, que também não
tivera herança, recebia em seu lugar outras
oferendas (Nm 18,1-19). Os levitas, assim
chamados os que recebiam o dízimo, também o
entregavam à Casa de Aarão (Nm 18,25-29), ramo
principal dos mesmos levitas. Pode-se dizer que
a Casa de Aarão detinha o sacerdócio pleno (Ex
28-29) e os demais levitas exerciam o sacerdócio
auxiliar, entregues à Casa de Aarão em lugar dos
primogênitos (Nm 3-8, "os doados"). A Bíblia
esclarece assim que o dízimo é uma das
oferendas, e que ambas significam ou representam
a porção de herança da Terra Prometida devida à
Tribo de Levi, (Nm 11-18) separada para o
exercício perene do sacerdócio: a herança que
lhes coube é o próprio Deus, significado no que
Lhe é destinado no sacrifício:
"Iahweh disse a Aarão: 'Não terás herança
alguma na terra deles e nenhuma parte haverá
para ti no meio deles. Eu sou a tua parte e a
tua herança no meio dos Filhos de Israel" (Nm
18,20)
"...os levitas não
possuirão herança alguma no meio dos Filhos de
Israel, visto que são os dízimos que os Filhos
de Israel separam para Iahweh, que eu dou por
herança..." (Nm 18,23-24)
"Eis o que te
pertencerá das coisas santíssimas, das oferendas
apresentadas: todas as oferendas que me
restituírem os Filhos de Israel, a título de
oblação, de sacrifício pelo pecado e de
sacrifício de reparação; são coisas santíssimas
que te pertencerão..." (Nm 18,9).
Facilmente se percebe que as oferendas, dentre elas o
dízimo, não eram pagamento nem donativo nem
contribuição nem qualquer outro nome do que se
dá gratuitamente, mas eram a herança da Tribo de
Levi. Por isso a décima parte, o dízimo, em
virtude das doze tribos, deduzida a deles, cada
uma lhes entregava um décimo, recebiam com
justiça o seu quinhão, completando-se a sua
parte com as "cidades que cada tribo lhe daria
em proporção com o seu quinhão" (Nm 35,1-8).
Hoje não existe essa situação na Igreja, não
havendo motivo para se falar em "dízimo ou
décima parte". Por isso colocamos no título a
palavra "dízimo" entre aspas. Também dízimo não
se confunde com espórtula, esta significando as
primícias que se entregava num cesto, como acima
transcrito: são coisas distintas, pois a
primícia é outra forma de oferenda. Dessa
maneira, em vez de trabalharem a terra para a
própria manutenção, trabalhariam "na seara do
Senhor", a serviço de Deus. Não lhes era um
pagamento, mas um direito advindo da eleição de
que foram alvo: "separados" por Iahweh para o
exercício do sacerdócio, centro gravitacional do
Culto da Aliança (Ex 24,1-8). Sendo Iahweh o
dono de toda a terra, dava Tribo de Levi a
função do sacerdócio e todas as oferendas que
Lhe eram destinadas e Lhe pertenciam (Ex 24,8,
"...imolaram a Iahweh..."). Dessa maneira,
torna-se a Tribo de Levi o ponto de convergência
de toda a atividade material e espiritual dos
israelitas: a comunidade do Povo de Iahweh unida
pela Aliança e em obediência a Sua Vontade, em
torno do Altar.
Além das primícias e dízimos muitas eram as
oferendas destinadas a Iahweh, tais como os
primogênitos das vacas e ovelhas (Ex 22,29), a
oblação (Lv 2), as vítimas (ou hóstias) dos
sacrifícios (Lv 1-7; Nm 18), das quais algumas
partes eram entregues aos sacerdotes. Essas
oferendas não substituíam nem dispensavam o
dever de cada um doar espontaneamente ofertas
para a construção do templo; para o santuário e
para as vestimentas para o sacerdócio (Ex
25,2...; 35,5...; 39,43); o siclo do santuário,
a que cada um, sem distinção de classe, estava
obrigado (Ex 30,11-16; Mt 17,24); os dons
voluntários ou votivos (Dt 12,11; Mc 12,41)
etc.. Uma não dispensa a outra, pois cada uma
tem uma destinação e um objetivo adequado.
O
SENTIDO RELIGIOSO DA OFERENDA
A Bíblia, por si mesma, não revela em uma simples leitura
toda a sua dimensão cultural. Tendo sido escrita
para os israelitas do tempo, seus
condicionamentos culturais não necessitavam
esclarecimentos, vividos que eram por todos.
Para melhor se compreender isto basta um
exemplo: imagine-se um escritor brasileiro
descrevendo uma situação confusa de hoje, que
use a expressão "'embananou' o 'meio de campo'".
Para nós, culturalmente condicionados ao uso da
expressão "embananou" e pelo "futebol", fácil é
a compreensão do que quisera dizer o escritor.
Mas, para um simples leitor daqui a quatro mil
anos, que desconheça o "embananar", ser-lhe-á
impossível, se não fizer uma análise mais
profunda de nossa cultura, e relacionar a
expressão com o efeito da "banana" e com as
regras do "futebol". Da mesma forma, a Bíblia
está repleta de narrações desse tipo,
culturalmente condicionadas ao tempo em que
foram escritas, exigindo análise mais atenta
para se compreendê-las. Acontece o mesmo quando
se busca compreender sentido religioso ou a
teologia das oferendas na cultura israelita.
Inicialmente é de se recordar, para um melhor
raciocínio, a prática sistemática da entrega da
herança da Tribo de Levi, que se constituía das
oferendas para a casa de Aarão, o sacerdócio
pleno, e dos dízimos para os demais levitas, o
sacerdócio auxiliar. Tratando-se de entrega ao
próprio Deus (cfr. abaixo: "...oferece o pão do
teu Deus"), desfrutavam de uma importância
espiritual e sagrada, equivalente à
representação vicária de Iahweh entre as demais
tribos, que se traduzia em profundo respeito e
veneração em virtude da santidade sacerdotal:
"...o sacerdote é consagrado a seu Deus. Tu o
tratarás como santo, pois oferece o pão do teu
Deus. Será santo para ti, pois eu sou santo, eu,
Iahweh, que vos santifico" (Lv 21,7c-8).
Formava-se então, em torno do sacerdócio, verdadeira
comunidade espiritual e mística das tribos
israelitas, unindo, material e espiritualmente,
todos e cada um de todas as tribos, uns com os
outros, entre si e com os sacerdotes, e por meio
destes com o próprio Iahweh. Além daquela já
mencionada entrega das primícias em um cesto (Dt
26,2-4), há ainda outra prática sistemática
culturalmente condicionada, quando se determina
que se deve "comer" as oferendas:
"Não poderás comer em tuas cidades o dízimo do
teu trigo, do teu vinho novo e do teu óleo, nem
os primogênitos das tuas vacas e ovelhas, nem
algo dos sacrifícios votivos que hajas
prometido, ou dos teus sacrifícios espontâneos,
ou ainda dons da tua mão, tu os comerás diante
de Iahweh teu Deus, somente no lugar que Iahweh,
teu Deus, houver escolhido, tu, teu filho, tua
filha..." (Dt 12,17-18; leia-se também Dt
12,11-12; 14,22-26).
A seguir literalmente esta perícope, o israelita que fosse
entregar as primícias, o dízimo, os
primogênitos, em suma, as oferendas, teria que
"comê-las' no lugar escolhido por Iahweh Deus",
nada entregando à Tribo dos Levitas da herança
que lhe pertencia. Mas, o israelita de então
compreendeu facilmente que Deus usara os termos
do Ritual do Sacrifício. As oferendas destinada
a Deus, deveriam ser consagradas ou santificadas
no altar pelo sacerdote. Delas "comeriam" o
ofertante e sua família, o sacerdote e "o
próprio Deus":
"Em relação a Iahweh vosso Deus... buscá-lo-eis
somente no lugar... escolhido... para ai colocar
o seu nome e fazê-lo habitar. Levareis para lá
vossos holocaustos e vossos sacrifícios, vossos
dízimos e os dons de vossas mãos, vossos
sacrifícios votivos e vossos sacrifícios
espontâneos, os primogênitos das vossas vacas e
das vossas ovelhas. E comereis lá, diante de
Iahweh vosso Deus, ...vós e vossas famílias..."
(Dt 12,4-7).
É São Paulo quem esclarece com maior objetividade o sentido
da manducação das oferendas, quando afirma:
"...os que comem as vítimas consagradas não
estão em comunhão com o altar?" (1Cor 10,18).
E Jesus confirma tudo isso quando, referindo-se ao Altar,
diz:
"Cegos! Que é maior, a oferta ou o altar que
santifica a oferta?" (Mt 23,19)
Ora, desde a Aliança do Sinai o sacrifício se
torna o centro gravitacional do culto israelita,
tendo sido até mesmo concluída com a aspersão de
sangue no Altar e no Povo (Ex 24,4b-8). Nele as
oferendas são "o pão do teu Deus" (Lv 21,8),
santificadas no Altar, e "comendo-as", entra-se
em comunhão com Iahweh. Então, não é outro o
sentido religioso das oferendas, ou a sua
teologia: Por meio delas, "comendo-as"
num sacrifício, entra-se em comunhão com Iahweh.
AS OFERENDAS E O SACRIFÍCIO (2º parte)
A Bíblia nos mostra várias conotações dos sacrifícios
israelitas, pelo que se torna indispensável o
exame de algumas, mesmo superficialmente, para
que se compreenda o que é um sacrifício e se
fundamente a sua finalidade. Inicialmente, é de
se mencionar o que poder-se-ia denominar de
substituição, desde quando da entrega pelo
próprio Deus de um cordeiro para ser imolado por
Abraão no lugar de seu filho unigênito Isaac,
eficazmente aceito (Gn 22,13.16). Usada também
nos holocaustos (Lv 1,4), nos sacrifícios de
reparação ou pelo pecado (Lv
,15-20.24-26.29-31.33-35 etc.), bem como nos
sacrifícios de comunhão, de eficácia
reconhecida:
Porá a mão sobre a cabeça da vítima... O
sacerdote fará assim o rito de expiação para
esse homem, e ele será perdoado" (Lv 4,29-31).
A substituição de maior relevância que se
conhece é a de Jesus Cristo, a vítima do pecado:
"Mas Deus demonstra seu amor para conosco pelo
fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos
ainda pecadores" (Rm 5,8).
Outra conotação subjacente ao sacrifício é a
solidariedade, advinda da Aliança, de todos e de
cada um dos membros do Povo de Israel, tanto no
bem como no mal que a comprometesse. É o que
retrata o episódio de Acã:
"Mas os filhos de Israel tornaram-se culpados
de violação do anátema:
Acã... apoderou-se de coisas que estavam sob
anátema; e a ira de Iahweh inflamou-se contra os
filhos de Israel" (Jos 7,1).
Um só membro, de uma única tribo, violou a determinação de
Deus e todos os filhos de todas as tribos de
Israel caíram sob a ira de Iahweh, e perderam a
batalha de Hai! Somente após o castigo do
culpado é que se consegue conquistá-la (Jos
7,1-26). Aqui aparece a solidariedade no mal com
a derrota havida com a transgressão e a
solidariedade no bem com a vitória após o
castigo do transgressor. Esta solidariedade vem
também quando Deus poupa os israelitas por
intercessão de Moisés (Ex 32,30-34), pela ação
de Finéias em Fregor (Nm 25,10-11), na figura do
Servo de Deus (Is 53,4-6.12) e várias outras
passagens. Destaca-se a Obra da Redenção de
Jesus que trouxe o bem, livrando-nos do mal que
trouxe Adão. São Paulo resume essa noção de
solidariedade, indispensável para a compreensão
do sacrifício, ao dizer:
“E se as primícias são santas, a massa também o será; e, se
as raízes são santas, os ramos também o serão”
(Rm 11,16)
Apenas estes dois elementos foram suficientes para os
Israelitas de então compreenderem o sentido e o
alcance da ordem de “comer as oferendas no lugar
indicado por Deus”: somente uma parte delas
seria “comida” e em “sacrifício”,
significando-as em sua totalidade, para a
santificação. À santificação da parte
corresponderia a santificação do todo.
“Comeriam-nas” o ofertante e sua família, o
sacerdote e, com a queima de algumas partes
delas, “o próprio Deus” (Lv 3,5,16 etc.),
estabelecendo-se então a santificação de todos
com a santificação da parte.
AS OFERENDAS, O SACRIFÍCIO E A SANTIDADE
Outros elementos existem, indispensáveis para a compreensão
da necessidade espiritual da entrega das
oferendas num altar. Deus se compromete com os
Filhos de Israel, a partir da Aliança com o
Patriarca Abraão, a torná-los "um reino de
sacerdotes e uma nação santa" (Ex 19,6). Pode-se
dizer que a santidade é o objetivo principal da
Aliança, pois Deus é santo e tudo o que lhe
pertencer deve ser santo:
"Sede santos, porque Eu, Iahweh vosso Deus sou
santo" (Lv 1-2).
Ninguém, porém, por si só, pode ser santo; é Deus quem
santifica e Ele mesmo dá as normas para a
santificação:
"Guardareis os meus estatutos e os praticareis,
pois sou eu, Iahweh, que vos santifico" (Lv
20,8).
Também especifica as normas rituais (Lv 1-7), as legais (Lv
11-16), as morais (Lv 17-23; Ex 20-23) e até
mesmo as sacerdotais (Lv 8-10) para essa
santificação, cujos princípios basilares podem
se resumir em dois:
1. o primeiro já foi mencionado: só Deus é
Santo e santifica o que lhe pertence,
principalmente o Seu Povo; e,
2. o segundo: o comportamento de cada um e
de todo o Povo de Iahweh reflete a Santidade de
Deus, dada a exigência do cumprimento de normas
de santidade de vida, corporificados no Decálogo
e no Código da Aliança etc..
A Santidade é um atributo de Deus. No entanto,
no Homem, mesmo sendo exigida a interior (Ex
20,17; Dt 5,21), é exteriorizada apenas pelo
comportamento ou conduta. E é-lhe impossível ser
santo como Deus o é. Pode refleti-la como num
espelho, pelo seu comportamento ou conduta, seja
familiar, seja profissional, seja social (Mt
5,16). Antes do pecado original, o Homem é a
“imagem” de Deus (Gn 1,26; Sl 8,6; Sb 2,23; 2 Pe
1,4; Col 3,10; 2 Cor 3,18; Rm 8,29); após o
pecado Adão gera um filho que “reflete” então a
“imagem de Deus” comprometida, "imagem de Adão"
(Gn 5,3), sem as perfeições naturais recebidas
antes (Gn 1,26), não mais a mesma Santidade de
Deus. O retor-no do Homem a Deus, à Vida em
Graça, “refletindo” em si mesmo a santidade de
Deus perdida, é obra da Redenção em Jesus Cristo
que o faz Homem Novo:
"...os que de antemão ele conheceu, esses também
predestinou a serem conformes à imagem de seu
filho, a fim de ser ele o primogênito entre
muitos irmãos" (Rm 8,29)
Essa Redenção estava "em germe" na Obra de Santificação e
já se operava no Povo de Israel, "em figura". É
a mesma dinâmica da solidariedade da parte com o
todo:
"Israel era santo para Iahweh, as primícias de
sua colheita" (Jr 2,3)
Com a Santificação das Primícias vai se operar a
Santificação da Massa toda (Rm 11,16). Esta
santificação está estreitamente vinculada à
Aliança que Deus contraiu com o Povo no Sinai,
que ratifica o comportamento fiel dos
Patriarcas, “que andaram com Deus”: - Noé foi
libertado da cor-rupção do mundo por ser “justo
e andar com Deus” (Gn 6,9); os Patriarcas,
libertos do paganismo, firmam uma Aliança com
Deus (Gn 12,1; Jos 24,1-13); e, finalmente tirou
o então formado Povo de Deus do Egito para
dar-lhe a Terra Prometida, os Mandamentos e o
Código da Aliança. Em cada uma dessas ocasiões
foi oferecido um sacrifício com a aspersão do
sangue no Altar e, por último, também no Povo:
"...depois que Moisés proclamou a todo o povo
cada Mandamento da Lei, ele tomou o sangue de
novilhos e de bodes... e aspergiu o próprio
livro e todo o povo, anunciando: 'Este é o
sangue da Aliança que Deus vos ordenou.' Em
seguida ele aspergiu com o sangue a tenda e
todos os utensílios do culto. Segundo a lei,
quase todas as coisas se purificam com sangue; e
sem efusão de sangue não há remissão" (Hb
9,19-22).
Surge outro elemento integrante do sacrifício, o sangue que
expia, e "sem a efusão dele não há purificação e
remissão" (Lv 8,15.24.30; 9,15-18; 16,19;
17,11), aliado ao "altar que santifica a
oferenda" (Mt 23,19), exigindo a consagração dos
sacerdotes e dos utensílios para o culto (Ex
25-30), destacando-se:
"Oferecerás pelo altar um sacrifício pelo
pecado, quando fizeres por ele a expiação, e o
ungirás para consagrá-lo. Durante sete dias
farás a expiação pelo altar, e o consagrarás;
assim, o altar será santíssimo, e tudo que o
tocar será santificado" (Ex 29,36-37).
Depara-se com um ritual especial, a unção sagrada, e é o
próprio Deus que determina o modo de prepará-la
para os fins específicos da santificação de
tudo, até mesmo dos sacerdotes:
"...farás um óleo para a unção sagrada... com
ele ungirás... o altar dos holocaustos...
consagrarás essas coisas e serão muito santas;
quem as tocar ficará santificado. Ungirás também
a Aarão e seus filhos e os consagrarás para que
exerçam o sacerdócio em minha honra" (Ex
30,25-30).
Conclui-se que pela unção sagrada santifica-se o altar e o
sacerdote, oferecendo-se em seguida o sacrifício
pelo pecado (Ex 29,36) para a eficácia do ato,
eis que a vítima oferecida completa o ritual,
pois sem a hóstia ou oferenda não há sacrifício,
nem santificação. Só se completa o ato litúrgico
com a “oferenda queimada em suave perfume de
agradável odor a Iahweh” (Lv 3,5). Pela
importância do sacrifício somente dele
poder-se-ia participar quem estivesse em estado
de pureza legal e de santidade (cfr. Lv 7,20-21;
11,44-45). Caso algo as comprometesse
dever-se-ia purificar antes, conforme rituais
específicos (Lv 11,25.28.32.40). No caso da
santidade violada havia ainda os sacrifícios: o
holocausto, o sacrifício de expiação ou o
sacrifício de reparação ou o sacrifício pelo
pecado. Impunha-se as mãos sobre a cabeça da
vítima perfazendo-se a substituição do ofertante
por ela (Lv 1,4). No holocausto a vítima toda é
queimada [o fogo, desde Abraão, significa o
próprio Iahweh (Gn 15,17)], por ninguém comida,
estando eivada pelo pecado do ofertante. Já nos
sacrifí-cios pelo pecado algumas partes eram
comidas apenas pelos sacerdotes e outras
queimadas (Lv 6,19.23). Não é a estes tipos de
sacrifícios que Iahweh se refere quando
determina a manducação das oferendas.
O Israelita compreendeu, sem esforço algum, que
Iahweh se referia à refeição sagrada ou
sacrifício de comunhão, do qual todos “comem”
(Lv 3,1-7), quando determinou que “as oferendas
as primícias e o dízimo fossem comidas” (Dt
12,17-18; leia-se também Dt 12,11-12;
14,22-26)., e muito mais ainda. Compreendeu que,
além da comunhão que se estabelecia, acontecia a
santificação do todo pela santificação da parte.
A partir da santificação da oferenda
estabelecia-se a dos partici-pantes do
sacrifício, do ofertante e sua família e seus
convidados, e até mesmo a tribo e todo o Povo de
Israel: pela entrega da herança de Levi ao
sacerdote e em se “comendo” das coisas
santificadas tonava-se santificado e em comunhão
uns com os outros e com Iahweh.
A TEOLOGIA DAS OFERENDAS (3º parte)
Tudo isso explodiu no Cristianismo sem
dificuldades ou óbices de qualquer espécie.
Cristo nunca se referiu à fundação de nova
religião, nem insinuou uma vez sequer uma
separação do judaísmo. Os Apóstolos e os
primeiros cristãos continuaram freqüentando o
templo e as cerimônias litúrgicas dos judeus (Lc
24,53; At 2,46; 3,1 etc.). O próprio Jesus
dissera:
"Não penseis que vim revogar a Lei e os
Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno
cumprimento, porque em verdade vos digo que, até
que passem o céu e a terra, não será omitido nem
um "iota", nem um "til" da Lei, sem que tudo
seja realizado" (Mt 5,17-18).
Por causa dessa afinidade e continuidade, todo o
aculturamento religioso que não conflitava com a
doutrina de Cristo penetrou nos rituais
litúrgicos da Igreja. Principalmente na Fração
do Pão, a Eucaristia, de que os sacrifícios
israelitas eram "figura" (1 Cor 10,6.11; Rm
15,4; Hb 9,24; Gl 4,24-26):
"Pois a minha carne é verdadeiramente uma
comida e o meu sangue é verdadeiramente uma
bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu
sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56).
"...Jesus tomou o pão e, depois de dar graças,
partiu-o e disse: 'Isto é o meu corpo, que é
para vós; fazei isto em memória de mim.' Do
mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice,
dizendo: 'Este cálice é a nova aliança em meu
sangue; todas as vezes que dele beberdes,
fazei-o em memória de mim" (1 Cor 11,23-25).
Jesus se apresenta como a vítima, a própria oferenda, a
essência de todo o sacrifício e desde o Antigo
Testamento fonte da comunhão do Homem com Deus.
Quando anuncia a Ceia Eucarística (Jo 6) os
judeus arrepiam-se ao ouvirem-no falar em "comer
a sua carne" e "beber o seu sangue".
Compreenderam, aculturados tal como seus
antepassados, que Jesus seria a vítima ou hóstia
do sacrifício (Jo 6,69). Da mesma forma sentiram
profunda aversão, culturalmente comprometidos,
com a modificação em "beber o sangue", o que
lhes fora sempre vedado (Lv 12,16.23). O sangue
era considerado "a sede da vida":
"Porque a vida da carne está no sangue. E este
sangue eu vo-lo tenho dado para fazer o rito de
expiação sobre o altar, pelas vossas vidas; pois
é o sangue que faz a expiação pela vida" (Lv
17,11).
Já os primeiros cristãos compreenderam que o sacrifício que
lhes era entregue era o de comunhão, pois dele
comeriam todos, tal como na refeição sagrada, e
ao "beberem o sangue" beberiam a "Vida de
Cristo". Tanto é assim que São Paulo o compara
com os sacrifícios pagãos distinguindo-os do
sacrifício israelita (1 Cor 10,14-20). Destaca
além do caráter sacrificial dele, também o
caráter sacramental pela "comunhão com o corpo e
com o sangue do Senhor" (1 Cor 10,16), dEle
recebendo a vida divina, a graça:
"Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu
vivo pelo Pai, também aquele que de mim se
alimenta viverá por mim..." (Jo 6,57).
Receber a Vida de Cristo é santificar-se, "cumprindo em
plenitude o que os sacrifícios antigos
prefiguravam" (Hb 9,9-14). Jesus vincula
o seu sacrifício à
Aliança do Sinai (Ex 24,8), "cumprindo-a" (MT
5,17-18):
"Este é o Cálice da Nova Aliança em meu
Sangue..." (! Cor 10,25).
"Este é o Sangue da
Aliança que Iahweh fez conosco..." (Ex 24,8).
Assim, cada vez que se celebra a Eucaristia e se come e se
bebe o corpo e o sangue do Senhor, o sangue dEle
é aspergido em todo o "corpo místico de Cristo",
a Igreja (Ef 1,22-23; Col 1,18),
"santificando-o". "Perpetua" a Aliança de Moisés
(Ex 24,8) e o "sacrifício da cruz" (Sacrosanctum
Concilium n.º 47). Jesus é o "Santo de Deus" (Jo
6,69).
Não há um só elemento “em figura” nos
sacrifícios israelitas que não esteja “em
plenitude” no Sacrifício da Eucaristia. Para Ela
é que se convergem, da mesma forma, as
oferendas, não mais como a herança de uma tribo
ou sacerdotal, mas a herança do Corpo Místico de
Cristo em toda a plenitude. É também, até mesmo
pela simples entrega delas, a unificação de
todos, material e es-piritualmente,
santificando-se na oferenda consagrada, ao comer
cada um e todos a hóstia (=vítima) santa,
antecipando-se o Banquete Messiânico (Lc 22,18;
1 Cor 11,26) da Comunidade Eclesial en-tão
formada, pela manducação do Corpo do Senhor.
Jesus é a própria oferenda, não como entre os
Israelitas onde Deus se significava nela para
alimentar uma tribo; agora é o próprio Jesus
Res-suscitado, o Filho de Deus Vivo, o Santo de
Deus, que alimenta o Seu Próprio Corpo,
unificando-O e santificando-O:
"Já que há um só pão, nós, embora muitos, somos
um só corpo, visto que todos participamos desse
único pão ... aqueles que comem as vítimas
sacrificadas não estão em comunhão com o altar?"
(1 Cor 10,17).
Com as oferendas depositadas no altar durante o Ofertório,
na consagração da hóstia, atinge-se a comunhão
com Deus e com os irmãos, no Corpo Místico de
Cristo e recebendo o próprio Cristo, no corpo e
sangue, o cristão volta a refletir a "imagem de
Deus" perdida pelo pecado:
"E nós que, com a face descoberta refletimos
como num espelho a Glória do Senhor, somos
transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais
resplandecente, pela ação do Senhor, que é
Espírito" (2 Cor 3,18).
De tudo o que foi exposto conclui-se que a oferenda é um
culto a Deus, a participação do “trabalho
humano”, tal como se diz no início da Missa, na
constituição material da vítima (=hóstia)
consagrada, a oferenda santa por excelência, o
próprio Corpo e Sangue de Cristo, a essência do
sacrifício, a unificação, centro e ápice da
comunhão e santificação da Igreja, em plenitude.
Com a oferenda se participa na Obra de
Santificação de todo o mundo pela santificação
de uma parte. É ser vítima consagrada com
Cristo, em união plena e indissolúvel. Faz-se
parte de toda a atividade da Igreja tal como o
Catecismo enseja, participando de toda a
satisfação das “necessidades dela, de forma que
ela possa dispor do necessário para o culto
divino, para as obras apostólicas e de caridade
e para a honesta sustentação de seus ministros”.
Além de vítima ou hóstia o fiel deve ter
consciência da sua participação também em todo
ato litúrgico, tanto nos demais sacramentos,
onde está presente materialmente com o fruto dos
rendimentos de seu trabalho, bem como em toda e
qualquer obra da ou ato Igreja, sem outro
interesse que a comunhão com Deus, nunca a
espera de qualquer recom-pensa ou fortuna. Não é
um negócio que faz com Deus, é um ato litúrgico,
um culto.
O
QUE A OFERENDA NÃO É
· Não é "dízimo": assim denominá-la é
minimizá-la, e encará-la "apenas" como solução
dos problemas econômico-financeiros da
comunidade ou como meio de sustentação do clero
ou do culto; é desvirtuá-la, desviando-a de sua
finalidade precípua e fundamental de meio por
excelência de comunhão com o Pai, com o Filho e
com o Espírito Santo. A oferenda é um culto a
Deus, um ato litúrgico praticado pelo Homem Todo
na Comunidade Eclesial, que assim se santifica
oferecendo o seu trabalho para a santificação de
toda a Igreja e do mundo todo, doando-se a si
mesmo e tornando-se vítima com Jesus.
· Não tem um valor estipulado em
porcentagem, mas deve, "conforme as
possibilidades de cada um, prover às
necessidades da Igreja, de forma que ela possa
dispor do necessário para o culto divino, para
as obras apostólicas e de caridade e para a
honesta sustentação dos seus ministros", o que
indica a transparência com a mais ampla
divulgação do plano pastoral e plena
participação de cada um, conforme a sua própria
vocação pessoal, bem como o orçamento e a
receita da paróquia.
· A oferenda não isenta o fiel de outras
participações, até mesmo de caráter
extraordinário que possam ocorrer ou de qualquer
outra natureza, necessárias e concernentes para
a vida comunitária. Não se confunde com os
deveres individuais de caridade nem os substitui
ou anula, nem ainda com as obrigações sociais de
cada pessoa ou obras de misericórdia. Também não
substitui a espórtula, que ocupa o lugar das
primícias devidas a Deus, que, por sua vez,
também não se confunde nem impede a participação
com oferendas voluntárias ou votivas
· A oferenda não é uma doação, deve ser
entregue, é um direito da Igreja (Mt 10,10; 1Cor
9,11-14). Não pode ser objeto de nenhuma
organização de controle ou fiscalização, no que
vai contrariar a vivência do fiel no seu
conteúdo doutrinário. Estará "pagando", não
"comungando", nem "cultuando".
· "Deus não faz acepção de pessoas" (Dt
10,17; At 10,34; Rm 2,11; Gl 2,6; Ef 6,9; Cl
3,25; Tg 2,1; 1Pe 1,17), não cabendo a
classificação meritória de "dizimistas", por
vários outros motivos:
§ Contraria toda a "teologia
comunitária" da oferenda, com a qual se
estabelece pela própria natureza dela a vida em
comunhão com Deus e com todo o Povo de Deus pelo
sacrifício.
§ Fere a realidade do Corpo Místico de
Cristo, que não é uma figura de ficção. Qualquer
contribuição pessoal, por mais individual que
seja, é a participação de todos na santificação
dos membros, principalmente aqueles que nada
possuem e não podem doar nada, devendo ser
muitas vezes objeto da "misericórdia" da
comunidade de fiéis. Apesar dessa situação
deles, também participam igualmente do Corpo
Místico de Cristo (Fl 1,12; 3,10; Cl 1,24; 1Cor
10,16; 2Tm 1,8).
§ Estabelece uma distinção que não pode
existir no Sacrifício Missa ou Eucaristia, pois
sendo a oferenda um culto que a Igreja presta a
Deus, estabelece-se neste culto uma
discriminação comunitária. Não se deve perder de
vista que uma das "virtudes" que o fariseu
apontou contra o "publicano" da Parábola foi o
de "pagar o dízimo de todos os seus rendimentos"
(Lc 18,12) e nem por isso foi justificado...
· A oferenda deve ser entregue em
virtude de seu sentido espiritual e religioso,
sem outro interesse que o litúrgico, um culto,
sentindo o fiel a sua participação no Sacrifício
de Cristo como Hóstia ou Vítima, um só Corpo com
Ele, não se insinuando na Igreja o sentido
material desligado do religioso, para também por
esse meio se santificar e se sacramentar o
humano.
O
DÍZIMO E A IGREJA QUE QUEREMOS
Povo de Deus:
O dízimo nos leva ser mais Igreja. Passamos a
compreender nossa importância nesta grande
família. Os padres são muito importantes e
necessitamos deles, como orientadores, como
engenheiros da grande obra. Os leigos, no
entanto, é que devem tornar possível a grande
construção. Uma Igreja de unidade e trabalho
onde todos participem, cada um cumprindo seu
papel sem distinções. Todos são vitais para o
crescimento da Igreja.
Uma Igreja popular: Que o dízimo possa realizar em nossas
comunidades a opção preferencial de Cristo e da
Igreja pelos pobres. Que os mais simples se
encontrem e se sintam amados e membros ativos
nas comunidades cristãs. Que não tenhamos uma
Igreja de elite financeira ou intelectual, mas
de irmãos que amam a Deus e O servem.
Uma Igreja ativa: O dízimo é capaz de
transformar pedra sem valor em diamante. O
cristão consciente, dizimista, deixa de ser
número para ser membro ativo, deixa de ser
lâmpada apagada e passa a iluminar a realidade.
Não nos preocupemos com a quantidade de
cristãos, e sim com a qualidade deles. Ser
dizimista é dar passos de qualidade na vida da
comunidade.
Uma Igreja comunidade: Que o dízimo nos ensine a
olhar os nossos irmãos da Igreja como
singulares, únicos. Para cada coração um
cuidado, para cada família uma palavra. Que as
pequenas comunidades de bairro, ruas, vilas
sejam motivadas para o estudo e a encarnação do
evangelho.
Uma Igreja cristocêntrica: Que a dinâmica do
dízimo em cada comunidade leve ao seu centro, à
pessoa de Cristo. Jamais podemos esquecer de que
Ele é a razão de estarmos ali. Os santos têm seu
lugar na Igreja, como exemplos de caminhada e
vitória sobre o pecado, mas é Cristo o Caminho,
a Verdade e a Vida.
Uma Igreja de cristãos: Padre sozinho não é
Igreja. Que cada leigo assuma seu compromisso de
batizado ocupando seu espaço dentro da Igreja,
não apenas nas críticas ou ajudas financeiras,
mas atuando como agente formador e transformador
na comunidade.
Uma Igreja carismática: Que o Espírito Santo
seja o farol, o norte de nossas comunidades,
realizando em nossos corações seus feitos, e que
seus frutos, bem como seus dons, de modo
especial a caridade, realizem novo ardor
missionário no projeto da evangelização.
Uma Igreja pluralista: Que o amor seja o elo de
unidade de nossa Igreja, que todos tenhamos um
mesmo ideal e que todos trabalhemos para o mesmo
fim, sem contudo sermos iguais. Que as
semelhanças nos unam e que as diferenças de
linguagem e método ajudem no enriqueci mento de
nossas comunidades. A prática do dízimo leva ao
respeito mútuo e nos dá a liberdade de
expressão. Ser Igreja é muito mais que ser sócio
de um clube.
Uma Igreja ecumênica: Que aprendamos também com
o dízimo o livre diálogo com nossos irmãos
protestantes; que estejamos abertos para criar
pontes entre todos os membros desta imensa
família que crêem Deus e em Jesus Cristo
Libertador.
Uma Igreja pobre: O dízimo é uma fonte
inesgotável de lições de desapego. Que possamos
viver uma Igreja despojada e simples. Que
possamos, na falta de templos, fazer de cada
casa, garagem, barracão a Igreja dos pobres,
celebrando a vida entre os irmãos.
Uma Igreja peregrina: O dízimo
encaminha-nos rumo ao terceiro milênio. Indo de
encontro aos homens, de qualquer nação, estamos
no rumo certo. Que possamos dar passos cada vez
mais corajosos e audazes na implantação do Reino
no mundo. Uma experiência de Gentes - ao
encontro de todos os povos - transforma o mundo.
Uma Igreja missionária: A missão da Igreja é
anunciar a presença do Reino de Deus no mundo
dos homens. Para tal deve enviar homens
evangelizados a todos os setores da sociedade em
todas as partes do mundo, realizando o grande
projeto de Cristo: a libertação por meio da
verdade: “a verdade vos libertará”.
Uma Igreja dinâmica: O desafio da Igreja moderna
é estar à frente das exigências dos nossos
tempos. Para isso não pode ser estática, presa
as estruturas e sistemas. É necessária muita
criatividade e movimento constante. Ser atual em
sua forma de comunicar, tendo como raiz a
verdade evangélica.
Contribuir com o dízimo é eliminar o pagamento
de taxas por ocasião da administração dos
sacramentos. Na medida que o dízimo vem sendo
implantado e consegue satisfazer as necessidades
da Paróquia, as taxas serão eliminadas, são
superadas gradativamente.
DÍZIMO: FRUTO DA CONSCIÊNCIA
A prática de ofertar originou-se no principio da criação do
mundo, quando Caim e Abel ofereceram a Deus
parte dos seus frutos do seu trabalho (Gên
4,3-4), e Deus olhou com agrado para a oferta de
Abel e sua oblação; pois ofereceu o melhor se
si, ou seja, os primeiros frutos. Noé (Gen
8,20-22); Abraão (Gen 14,17-22): Jacó (Gen
28,20-22 – Gen 35,1-8.14); Moisés (Ex 25,1-9);
Tobias (Tb 1,6-8); ofereceram sacrifícios, votos
e seu dizimo como reposta ao compromisso e
bênçãos recebidas. Ao longo dos anos, Deus foi
revelando ao seu povo práticas para a oferta do
Dízimo o, que hoje as servem para nós.
Jesus, também valorizou esta prática (Mt 23,23).
O
Dízimo
é Santo e é a décima parte do nosso
trabalho, que pertence a Deus e a Ele devemos
devolver (Lev 27, 28-32). É um ato de amor e de
fé consciente.
O
Dízimo não é tudo na vida do cristão, mas
ser cristão e não ser dizimista é muito pouco. O
cristão faz parte de uma família.
Na família os pais sustentam os filhos até
quando eles mesmos começam a trabalhar e ter
seus próprios rendimentos. A partir daí os
filhos começam a dar a sua contribuição, na
proporção de seus ganhos.
Imagine uma família em que isto não aconteça! Se
um dos filhos não se interessa em estudar, não
se dispõe a trabalhar e não quer compromisso com
nada, este filho com certeza gerará problemas
para os demais, ou para a família.
Na família cristã, na Comunidade, cada membro
deve participar e contribuir na proporção de
seus rendimentos e do seu crescimento
espiritual. Desta forma a comunidade cresce e se
multiplica, e vai se realizando o projeto de
Evangelização de Jesus: “Ide pôr todo o mundo e
pregai o Evangelho a toda a criatura”.(Mc 16,
15).
Quem leva a sério as Palavras de Jesus Cristo, e
reconhece a importância da presença de Deus em
sua vida, tem consciência de que o
DÍZIMO é algo muito sério, importante
e necessário.
Desta forma é que devemos ofertar o nosso
dízimo, com alegria e gratidão, como
manifestação de nossa fé e expressão forte que
estamos integrados numa comunidade. A principio,
ele deve ser doado na comunidade que residimos,
como sinal de compromisso a esta comunidade.
Portanto, é nossa a responsabilidade de
colaborar para que a comunidade cresça, a fim de
que ela se torne forte na fé, viva e unida,
evidenciando-se assim os traços comunitários,
autênticos, como nos relata nas virtudes dos
primeiros cristãos (At 2,42-27 - At 4,32-35).
O
Dízimo é uma experiência Bíblica, um
gesto de amor, ternura e bondade (Lc 6,27-38). É
necessário um mínimo de compreensão da Palavra
de Deus, para que se possa buscar, educar a fé e
descobrir a verdadeira dimensão do dízimo.
Existem outras formas de contribuir: através da
Oferta e da Esmola.
Oferta é um presente que se dá a Deus, vinda do
coração; de forma espontânea e com amor.
Esmola é tudo aquilo que você dá a alguém, sem
esperar nada em troca. Quem der aos pobres, não
passará necessidade, mas quem fecha os olhos aos
pobres, ficará cheio de maldições (Prov 28,27).
Podemos até imaginar que as frases “Deus lhe
pague” e “Deus te abençoe”; são repostas de Deus
quando ajudamos os irmãos mais necessitados.
Deus cumpre suas promessas e derrama bênçãos
além do necessário (Mal 3,8-12). Ele nos abençoa
e da mesma forma, nos afasta das maldições (Deut
26,1-68). Com isso, tem curado um dos maiores
males da humanidade: O egoísmo.
O homem nasceu para ser próspero e fecundo e
isso é como encontrar um grande tesouro. A
Palavra de Deus, nos dá à “receita” para isso
(Gen 35,11 - Deut 8,1-20 - Deut 29,9 - ICr
22,13).
É importante que façamos uma avaliação de nossa vida, pois
a religião não consiste apenas em ritos,
costumes e teleologia. Nem é apenas um tipo de
culto ou de boas ações. A palavra Religião
significa: re-ligar, tornar a ligar nosso
coração a Deus, desapegando-se de tudo o que
escraviza e dando prioridade a Deus.
‘‘Esse é o caminho para encontrar e experimentar o
verdadeiro Deus, pois sua Palavra não falha,
nunca falha!. Deus não nos abandona e nos ama
imensamente. Concluindo, salientamos que o
Dízimo é uma experiência muito forte com
Deus. Quem faz essa experiência, com certeza
poderá sentir as promessas de Deus ser cumprirem
(Mal 3,10-12).
Fazei a experiência...! Só depende de você!
A
FÉ, A PARTILHA E O DÍZIMO
A fé é o fundamento da esperança; é uma certeza
a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a
glória dos nossos antepassados. Pela fé,
reconhecemos que o mundo foi formado pela
Palavra de Deus e que as coisas visíveis se
originaram do invisível
(Hb 11,1-3).
A fé é meio indispensável para nos relacionarmos
com a Salvação de Jesus. Certamente só Jesus
Salva, mas o meio pelo qual a salvação chega a
nós é a "FÉ" (At 10,43; Rm 5,1-2).
Esta fé, "um dom de Deus", é a força e alimento
na caminhada do homem. Assim, cuida de si, das
coisas de Deus e do seu plano. Com a fé, crê-se,
acredita e confia nas obras do Reino.
O plano do Reino se alicerça da fé, do crer, se
doar, do amor e da partilha. Por isso,
confiantes em Deus é infinitamente gratificante
saber que Ele nos recebe, recebe nosso amor e
nossa partilha. Pela partilha, acolhe o dízimo
como um presente que o agrada e o deixa feliz; a
exemplo da oferta da viúva (Lc 21,1-4).
- O dízimo é a devolução a Deus, daquilo que já
é de Deus.
- O dizimo não é imposto, taxa, pagamento,
contribuição, porque ele não precisa; Não é
resto do que sobra que oferecemos, mas nosso
dízimo é exatamente a resposta da fé, do amor,
obediência e reconhecimento; pois tudo o que
somos e que temos, vem D’Ele.
- O dízimo é uma atitude de fé. É consciência de
que uma parte dos nossos rendimentos é de Deus
e, conseqüentemente da comunidade. Por isso, ele
é devolvido para manutenção da Paróquia,
sustento do culto, sacerdotes, bispos,
seminários, das missões e da ação social da
Igreja.
- O dizimo significa o exercício da fé. Mas, só
haverá compreensão do seu verdadeiro espírito e
sentido, quando acontecer de forma pessoal uma
experiência profunda, diante da essência e o
mistério do Criador, quanto a "partilha".
A partilha é uma resposta de amor á Palavra de
Deus. É um caminho que direciona o homem a
experiência do dizimo.
Além da sua devolução; seria necessário que cada
um entendesse profundamente esses ideais de
Deus: "reinar partilha e igualdade no seio do
povo e na Igreja". Esse é o projeto e propósito
de Deus, para a humanidade e sua Igreja.
O segredo da partilha esta na fé, na obediência
da Palavra de Deus, e no desejo de se ver um
mundo renovado, um povo, uma comunidade, uma
Igreja, viva e alegre (At 2,42-47; At 4,32-35;
ITim 6,17-19).
Se nosso coração ainda não se abriu de verdade
na DEVOLUÇÃO DO DIZIMO é preciso pedir fé e
sabedoria que vem d’Ele.
- É preciso pedir fé total, sem reservas, que
penetre no coração, no pensamento, na maneira de
julgar as coisas divinas e humanas.
- É preciso pedir uma fé que seja forte, que não
tema os problemas, a oposição daqueles que
contestam, a atacam, a recusam e a negam. Mas,
que nossa fé resista do desgaste, da critica,
que ultrapasse as dificuldades espirituais e
temporais, permanecendo constantemente firme no
Senhor Jesus.
Enfim, só entenderemos o valor e a dimensão da
partilha "do dízimo"; quando nossa fé for viva,
alegre, autêntica, atuante, envolvida da
caridade, justiça, humildade, paz, dócil à
Palavra de Deus e alimento da nossa esperança.
Diante do contexto da fé, que o dízimo possa nos
educar mais ao amor, a misericórdia, justiça e
ao plano da partilha. Seremos assim mais
generosos e Deus será mais generoso conosco.
Com a proteção de Deus, as bênçãos de Jesus,
iluminados pelo Espírito Santo; seremos um só
povo (Jô 17,21); para o bem do próprio povo;
pois o dizimo que devolvemos a Deus, doamos a
nós mesmos "o povo amado e querido de Deus".
Que assim seja, hoje e sempre. Amém!
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