DIOCESE DE TIANGUÁ  -  Paróquia São Benedito - CE
   
   

Institucional

História da Paróquia
Dízimo
Diocese
Pastorais e Movimentos
Setores
Galeria de Fotos
Santuário São Francisco
Links Interessantes
Wallpapers
Secretaria da Paróquia
   

Previsão do Tempo

Fale Conosco
Fone: (88) 3626-1280
Fax:
(88) 3226-1280

Conheça mais...

Clero Diocese de Tianguá 

 

Ouça as Missas

HORÁRIO

aos Sábados

19:00hs.

Aos Domingos

07:00hs.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dízimo Mês de Fevereiro 2012.

Dizimistas que Devolveram:.......................................523 Dizimistas que

 não Devolveram:........................... 720

Total de Dizimistas:............1.243         Total de Receitas:..................9.844,50  Média:.....................................7,91

ORAÇÃO DO DIZIMISTA

Aceita, Senhor, como meu dízimo, a minha gratidão.

Quero ser membro ativo da tua Igreja.

O Senhor me dá tantos dons, a começar pela própria vida.

Eu quero devolver um pouco, em forma de serviço e de oferta.

Aceita, Senhor, o meu desejo de participar na missão da Igreja, de santificar, de ser anúncio da Boa Nova, de transformar o mundo para ser de Deus e agradável a todas as pessoas. Aceita, Senhor, minha oferta, fruto do meu trabalho e sacrifício de cada dia.

Maria, Mãe de Jesus e nossa, conceda-me a força de perseverar e de animar outras pessoas a serem dizimistas, a comprometer-se efetivamente com o Reino de Deus. Amém!

 

O  QUE  É  DÍZIMO?

O dízimo, bem entendido, exclui o egoísmo e integra o amor, gratuidade, e deve ser buscado com desejo constante, ou seja, sentir a vontade e o amor em participar de coração do dízimo que é Fonte de graça, sinal de comunhão com Deus.

"Fazei a experiência - diz o Senhor dos exércitos - e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha benção sobre vós muito além do necessário" (Mal. 3,10). Só é possível entender o dízimo como fonte de graças, quando fazemos a experiência com Deus. E, torna-se realmente fonte de graça, porque é feito no templo, diante do altar, em uma celebração: "Pagai integralmente o dízimo no tesouro do templo." (Mal. 3,10). O dízimo no tesouro do templo é, para nós, o dízimo diante do Sacrário, ao "pé do altar", a fim de que seja sinal de comunhão com Deus, porque é dentro do templo que estaremos participando dessa comunhão; com a Palavra de Deus, e com a Eucaristia de Jesus Cristo.

O DÍZIMO é uma devolução a Deus do que ele mesmo nos dá. Deve ser feito com amor, "sem segundas intenções", sem exigir que a Igreja realize obras para incentivar a participação. Mostrar obras é próprio de políticos, não da Igreja. Devemos participar do dízimo com apenas um sentimento - "Entrar em comunhão com Deus, participar de seu plano de salvação e estar em comum -união com a comunidade. O dízimo é pessoal, não deve ser visto como troca, mas sim "eu e Deus". Eu devolvo a Deus, faço a minha parte, sem me preocupar com o que vai ser feito do meu dízimo. Deus faz a parte dele, que é a orientação das pessoas que irão trabalhar nesta pastoral, para que o dinheiro seja empregado na evangelização e nos custos da Igreja, obedecendo-se as três dimensões importantes: 1- Dimensão Religiosa: manter todos os gastos da Igreja; salários, folhetos litúrgicos, velas, despesas com água e luz, materiais de limpeza, etc. 2- Dimensão Missionária: investir nas diversas pastorais da Igreja; dos jovens, da família, dos idosos… e na formação de novos catequistas, líderes, etc. 3- Dimensão Social: investir em obras de caridade, ajudar aos mais necessitados cesta básica, remédios, etc. 

Dízimo é simplesmente fazer uma experiência com Deus. Quando nos permitimos ser conduzidos pelo Senhor, tudo acaba bem em nossa vida. È isso que está faltando às pessoas - fé - entregar-se a Deus e tê-lo como primeiro plano de vida. Dízimo é entrar em comunhão com Deus e partilhar, mas, para chegarmos a isso, precisamos educar a fé. Uma fé educada impulsionada e bem orientada gera dizimistas para toda a vida; nada vai abalar a sua oferta e fazer os desistir de participar da casa de Deus.

 

PASTORAL   DO   DÍZIMO

Pastoral do Dízimo é o serviço organizado, em nível de comunidade e paróquia, para que o Dízimo seja compreendido em seu verdadeiro sentido, esteja bem organizado e dê os recursos financeiros necessários para o trabalho de evangelização.

A Pastoral do Dízimo tem dois tipos de metas. O que é meta?        Meta é um "ponto" que a comunidade ou a paróquia quer atingir, num certo período de tempo, e que seja possível de ser atingido com o trabalho planejado e a participação de todos. As duas metas da Pastoral do Dízimo são: de educação e financeiras.

METAS  DE  EDUCAÇÃO

As metas de educação da Pastoral do Dízimo são duas. A primeira é ajudar os católicos, que já participam da comunidade e os que dela se aproximam, a perceberem e assumirem o Dízimo como sinal de gratidão a Deus, compromisso de fé e expressão de partilha e solidariedade, na certeza de que Deus é o Senhor da vida e dos bens. A segunda meta de educação do dízimo é ajudar os católicos a fazerem gestos de partilha, segundo suas condições de vida e de bens que Deus lhes proporciona, através de festas, promoções, campanhas etc. Estas iniciativas, organizadas de forma comunitária, educam para a partilha.

METAS FINANCEIRAS

A Pastoral do Dízimo também tem metas financeiras.

Primeira meta financeira é reunir através do dízimo, oferecido pelos católicos, os recursos necessários para as despesas ordinárias da comunidade e da paróquia. O dinheiro de ofertas, festas e promoções destinam-se, regra geral, a despesas extraordinárias da comunidade e da paróquia. O que são despesas ordinárias? São as despesas normais e fixas para manter os serviços da paróquia e comunidade (funcionários, secretaria, doméstica, côngrua, material, equipamentos de catequese e formação, carro, combustível, trabalho com os mais pobres...). Despesas extraordinárias são despesas com construções novas, grandes reformas, imprevistas ou ajudas a comunidades pobres para construir seu local de encontros etc.

A primeira meta financeira - O Dízimo quer reunir os recursos necessários para as despesas ordinárias, previstas no orçamento paroquial.

A segunda meta financeira é fortificar os recursos ordinários, para que a comunidade e a paróquia tenham condições de desenvolver melhor o trabalho de promoção dos pobres. Parte do Dízimo, conforme a Bíblia deve ser destinado para a promoção dos pobres. Por isso é necessário aumentar os recursos do Dízimo e destinar parte deles ao serviço dos pobres.

A terceira meta financeira da Pastoral do Dízimo é continuar progredindo para que a comunidade e a paróquia possam ajudar uma comunidade e/ou paróquia mais pobre (comunidade-irmã), e ter melhores condições para a conservação do próprio patrimônio. Recursos extraordinários são recursos advindos de festas, promoções, campanhas, rendimentos patrimoniais etc. As metas da Pastoral do Dízimo e das ofertas não são pequenas. A comunidade e paróquia devem planejar, cada ano, para ver o que fazer para alcançar as metas financeiras do Dízimo de forma crescente. A Comunidade e paróquia que não estabelece metas na Pastoral do Dízimo terá dificuldades em progredir na sua organização financeiro-comunitária, de forma sólida.

 ORGANIZAÇÃO DO DÍZIMO

Junto com o trabalho de fazer compreender as metas de educação e as metas financeiras do Dízimo, a Paróquia e Comunidade devem ter orientação clara e comum sobre a forma de organizar o Dízimo. A boa organização do Dízimo exige uma equipe de Pastoral do Dízimo em cada Comunidade e uma Equipe Paroquial do Dízimo. O que deve fazer a Equipe de Dízimo da Comunidade? O que compete à Equipe Paroquial do Dízimo?

Primeiro destacamos o que compete às duas equipes (da comunidade e da paróquia), e depois identificamos as atribuições específicas de cada equipe em particular.

EQUIPES DA PASTORAL DO DÍZIMO

As equipes de Pastoral do Dízimo da comunidade e da paróquia devem:

1- Conhecer o sentido bíblico do Dízimo, a organização do Dízimo  e a maneira de fazer o orçamento comunitário paroquial. Outros subsídios podem ser buscados.

2- Dar o exemplo de dizimista consciente, fazendo a renovação do seu dízimo.

3- Atender os dizimistas em dias de celebração (na comunidade) e na secretaria, durante a semana, de forma atenciosa, orientadora e permanente.

4- Todos os membros da equipe trabalhem juntos e de forma organizada, falando a mesma linguagem e seguindo a mesma orientação.

5- È bom que alguém da equipe (se possível) tenha experiência administrativa ou contábil.

EQUIPE PAROQUIAL

Assessorar, orientar e animar cada comunidade da paróquia para que constitua a sua Equipe de Pastoral do Dízimo.

1- Ajudar a organizar, com o Conselho Financeiro Paroquial, o orçamento paroquial de forma participativa e solidária.

2- Orientar as comunidades sobre o recebimento, o registro (fichário, recibos) e a prestação de contas do Dízimo. A Diocese oferece modelos.

3- Fazer a prestação de contas do Dízimo paroquial às comunidades através de publicação mensal do balancete e da prestação de contas na secretaria  paroquial.

4- Oferecer subsídios sobre o Dízimo às comunidades e fomentar processo de avaliação e animação permanente do Dízimo.

5- Encaminhar todos os meses a contribuição da Paróquia à Diocese, bem como a documentação contábil e administrativa.

EQUIPE DA COMUNIDADE

- Organizar e manter o serviço de atendimento aos dizimistas na Comunidade, especialmente antes e após cada encontro e celebração, em local visível e confortável (ao menos com uma mesinha e cadeira para sentar).

- Manter registro atualizado das contribuições dos dizimistas (fichário) e do documento de devolução (carnê ou envelope).

- Fazer prestação de contas mensal do Dízimo na Comunidade, sempre com brevíssima mensagem positiva, valorizando os passos já dados e o crescimento feito nas metas financeiras e educativas da Pastoral do Dízimo.

- Participar da elaboração do orçamento paroquial e manter em dia a contribuição mensal com a Paróquia.

- Rezar periodicamente a oração do Dizimista na Comunidade.

- Manter contato e acompanhamento aos dizimistas, indo a seu encontro, especialmente quando parecem estar se afastando da vida comunitária, ou estão afastados da comunidade.

INSTRUMENTOS DE CONSCIENTIZAÇÃO

Algumas atitudes concretas da Comunidade podem contribuir para o crescimento permanente da consciência do Dízimo e do seu melhor funcionamento. Lembramos alguns instrumentos de conscientização, que devem ser usados:

*Ter um local visível e acolhedor, de fácil acesso, para atendimento dos dizimistas, e recebimento do Dízimo, especialmente antes e após cada celebração e encontro comunitário, ou na secretaria.

*Incluir, periodicamente, a motivação sobre o sentido do Dízimo nas celebrações (preces, ofertório...), na catequese, nas reuniões das coordenações, nos encontros paroquiais e da comunidade, oferecendo subsídios...

*A comunidade se faz presente na vida do dizimista (lembrar aniversário natalício, de casamento, de batismo, fazer visitas, enviar mensagens de Natal, Páscoa... divulgação do nome dos dizimistas no rádio (no interior)

*Prestar contas, todos os meses, do movimento do Dízimo na Comunidade, sempre valorizando os dizimistas e as metas que estão sendo alcançadas, e lembrando as metas ainda não alcançadas.

*Ir ao encontro dos dizimistas que atrasam a devolução do dízimo ou se afastam da Comunidade, fazendo uma motivação personalizada.

*Preparar pequenos folhetos, volantes e subsídios e oferecê-los, periodicamente, a todos os dizimistas.

*Rezar e divulgar a Oração do Dizimista em todas as ocasiões possíveis e oportunas.

 

SER DIZIMISTA

01

O dízimo é o reconhecimento de que tudo pertence a DEUS. Contribuir com o dízimo é reconhecer que tudo o que somos e temos, tem um único dono: DEUS. Tudo, na verdade, pertence a ELE. Nós apenas administramos o que Dele Recebemos.

02

O dízimo é devolução e não pagamento. Contribuir com o dízimo, é devolver a DEUS uma pequena parte do muito que ele nos dá. A graça de Deus não tem preço. Nem todo o dinheiro do mundo pode comprá-la. Portanto, o Dízimo não é pagamento, mas sim devolução.

03

O dízimo é uma atitude de amor. Contribuir com o dízimo é uma atitude de amor, que brota do coração de quem sabe ser grato para com Deus. O dízimo perde a sua razão de ser, quando ofertado pôr medo, interesse ou superstição.

04

O dízimo é partilha que vence o egoísmo. Contribuir com o dízimo é abrir o coração e a vida, partilhando o que se tem, mesmo quando se tem pouco. Só que é generoso dá o dízimo. O egoísta não sabe ser grato e nem conhece o valor e a alegria da partilha.

05

Com o dízimo, ajudamos a Igreja a cumprir sua missão. Contribuir com o dízimo é participar da grande missão da Igreja, a evangelização. Quem oferta o dízimo com consciência e fé, torna-se evangelizador, mesmo que não possa ou não saiba anunciar a palavra de Deus. O próprio ato de contribuir com o dízimo, já é um ato evangelizador.

06

Pelo dízimo a comunidade celebra a vida e a fé. Contribuir com o dízimo é ajudar a manter e cuidar da Igreja, a casa de oração da comunidade, é com o dinheiro do dízimo que se compram as velas para o altar, os cálices, os cibórios, os livros e folhetos litúrgicos.

07

Pelo dízimo a comunidade se torna catequizadora. Contribuir com o dízimo é assumir o compromisso de instruir na fé as crianças, os adolescentes, os jovens e os adultos. Quem dá o dízimo, auxilia na compra de manuais de catequese, giz, livros de formação, etc. Uma comunidade dizimista é uma comunidade catequizadora.

08

Pelo dízimo os pobres são assistidos e promovidos. Contribuir com o dízimo é colocar-se à disposição dos mais pobres, vendo neles o próprio Jesus. Em cada comunidade, uma parte do dízimo é aplicada em favor dos mais carentes eles tem direito ao nosso amor e nossa solidariedade.

09

Pelo dízimo o cristão se sente co-responsável pela sua comunidade. Contribuir com o dízimo é sentir-se co-responsável pôr tudo o que diz respeito a Igreja. Formamos um só corpo e não podemos viver separados uns dos outros. É juntos que devemos assumir os encargos e responsabilidades de nossa comunidade.

10

O dízimo é uma fonte de bênçãos. Contribuir com o dízimo é ficar aberto a ação de Deus, que retribui a quem sabe ser justo e generoso. O dízimo é uma via de mão dupla. à medida que somos generosos, Deus também é generoso conosco. Só podemos receber, quando a porta do nosso coração se abre para dar.

 

O  "DÍZIMO"   E   A   IGREJA (1º parte)

NOS  PRIMÓRDIOS
A Igreja está preferindo o uso do "dízimo" em lugar da "espórtula", do latim "sportula", que significa cesto. Os Israelitas entregavam ao sacerdote as primícias num cesto e no altar:

"...tomarás as primícias de todos os frutos que recolheres do solo que Iahweh teu Deus te dará e, colocando-as num cesto, irás ao lugar que Iahweh teu Deus houver escolhido para aí fazer habitar o seu nome. Virás ao sacerdote... O sacerdote receberá o cesto da tua mão, colocá-lo-á diante do altar de Iahweh... e te prostrarás diante de Iahweh teu Deus" (Dt 26,2-11). 

O fato de ser exigida a entrega “ao sacerdote, no lugar que Iahweh teu Deus houver escolhi-do para aí habitar o seu nome”, que “colocá-lo-á diante do altar” (Dt 26,2-4), e “te prostrarás diante de Iahweh teu Deus” (Dt 26,11), deixa claro que se trata de culto com ritual próprio (Dt 26,1-11). Tem um sentido profundamente religioso que nos escapou. Esse uso passou para o Cristianismo, motivo porque, no Ofertório da Missa, o “Lava-Mãos” e a “Oração sobre as Oferendas”, são como que resquícios ou vestígios do manuseio do cesto pelo sacerdote. Eram oferendas espontâneas e voluntárias (2Cor 9,7), inexistindo no Novo Testamento qualquer manifestação a respeito do “dízimo” seja aconselhando-o, seja condenando-o. Cristo referiu-se a ele algumas vezes e somente quanto ao seu uso entre os judeus (Lc 11,42, par.; 18,12). Mas, determinou que “o trabalhador tem direito ao seu salário” (Mt 10,9-10), seguido por São Paulo (1 Cor 9,13-14). Com o tempo as pri-mícias foram substituídas por dinheiro e receberam o nome de espórtula, e assim existem até hoje em alguns lugares. O uso desta denominação exigia sempre a explicação de que não era “pagamento”, mas uma oferta que se fazia e que Jesus determinara que o sacerdote “deveria viver do altar”. Acontece, porém, que, apesar das explicações dadas, a circulação de dinheiro na Igreja sempre trouxe clima não muito salutar.

HOJEAté bem pouco tempo o Quinto Mandamento da Igreja determinava: "Pagar o dízimo segundo o costume." 

A expressão "segundo o costume" caracteriza bem que a denominação "dízimo" permaneceu em uso, mas o que se ofertava era a espórtula, e em dinheiro. Criou-se uma espécie de "taxa" para o cerimonial litúrgico, e a simples referência ao nome "dízimo" nos leva a perceber a continuidade do sistema israelita. E a delimitação "segundo o costume" não mais o fixa nos dez por cento tradicionais, a décima parte, como era na origem. Essa denominação passou a soar como pagamento ou retribuição por um serviço ou benefício prestado, o que se torna muito constrangedor, pois o Sacramento não tem preço ou valor monetário que lhe corresponda. Também não é serviço que se presta que deva ser pago, não é comércio ou troca, "toma-lá-dá-cá". 

Grave é o fiel perder o sentido da sua participação religiosa e desempenhar o papel meramente passivo. Torna-se “mero assistente”, o “pagante”, “o dono da festa”, “detentor de direitos, podendo exigir o que queira, mesmo em detrimento das necessidades espirituais da comunidade eclesial”. Não participando do ato, tudo lhe é místico e mágico, mais supersticioso que cristão. Pior que tudo é a indiferença e frieza ao ritual litúrgico, como se nada significasse, sentido-se até mesmo aliviado ao terminar. É que, com o desenrolar da História, e por causa de várias transformações havidas, bem como incompreensões e perseguições, os fundamentos teológicos das oferendas, e dentre elas do "dízimo", se perderam. Hoje, ocorrendo o mesmo fenômeno de esvaziamento com alguns Sacramentos, a Igreja passou a exigir cursos até mesmo dos pais e padrinhos de Batismo, Matrimônio, Crisma, numa espécie de reciclagem, como se diz atualmente, para a retomada dos conhecimentos religiosos esquecidos. Quando ao "dízimo", vigora o recém-promulgado Catecismo da Igreja Católica, 2.ª parte do n.º 2043, do Texto Latino (cfr. a publicação portuguesa), segundo a qual:

"O quinto preceito (= contribuir para as despesas do culto e para a sustentação do clero segundo os legítimos usos e costumes e as determinações da Igreja), aponta aos fiéis a obrigação de, conforme as suas possibilidades, "prover às necessidades da Igreja, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação dos seus ministros".
(Editora Gráfica de Coimbra, tradução do texto latino oficial; destaques propositais)

Este dispositivo dá à oferenda uma dimensão não mais limitada seja na quantidade, seja nos usos e costumes. Sua dinâmica obrigatória é conforme a consciência eclesial de cada fiel e a equação: "conforme as possibilidades de cada fiel e conforme as necessidades da Igreja". As "necessidades da Igreja" são dimensionadas genericamente em o "necessário para o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação dos seus ministros". Com isto, abre os mais amplos horizontes e com dinâmicas expressões, que escapam ao então ultrapassado e impróprio termo "dízimo", a "décima parte". Necessariamente se impõe um novo nome e mais apropriado: usaremos aqui oferendas.

 

AS   OFERENDAS   E   A RELIGIÃO   ISRAELITA

É de César Cantu a frase: "Povo que não conhece a sua história é navegante que navega sem rumo".

Quando se perde o liame da história da instituição cai-se na rotina e se desliga do sentido original. O rito perde o princípio que lhe serviu de fundamento e coesão estrutural, passa-se então a seguir a “letra que mata” e não o “espírito que vivifica” (2Cor 3,6). Impõe-se por isso a pesquisa no Antigo Testamento da instituição das oferendas entre os israelitas. Para isto teremos de registrar fatos conhecidos correndo o risco da prolixidade. Mas, para não ocasionar saltos no raciocínio preferimos correr o risco. Registramos o que já é do conhecimento geral para manter o seqüência do pensa-mento e a coerência das conclusões.

O que atualmente entendemos como religião tinha o nome de aliança entre os israelitas. Aliança de exclusiva iniciativa de Deus, contraída inicialmente com Absacrifício (Gn 12,8b; 26,25; 28,17-22), centro gravitacional do culto desde então. De Jacó veio o Povo de Israel, formado pelas doze tribos oriundas de seus doze filhos. Moisés confirma e repete essa Aliança com o Povo de Israel no Monte Sinai, selando-a também com o sacrifício (Gn 24,1-8), que se torna o centro essencial dela, e o seu culto significava e atualizava a união de Deus com todo e cada um do então já Povo de Iahweh. Institui-se o sacerdócio, pois onde não há sacerdócio não há sacrifício e onde não há sacrifício não há sacerdócio (Hb 8,3): Iahweh após a Páscoa institui o sacerdócio de Aarão (Ex 28-29).

 

AS   OFERENDAS   E   O   "DÍZIMO"

Não se pode confundir o Dízimo dos Israelitas com o mencionado em Gn 14,20 ou Gn 28,22, nem com o de outros povos, praticados em reconhecimento por algum benefício recebido. Aquele, o Dízimo dos Israelitas, é a entrega a uma parte da Tribo de Levi da parcela que lhe coube como herança na Terra Prometida (Nm 18,20-24), já que não recebeu uma parte da terra objeto da conquista a que teria direito. Também, a outra parte da mesma tribo, a Casa de Aarão, que também não tivera herança, recebia em seu lugar outras oferendas (Nm 18,1-19). Os levitas, assim chamados os que recebiam o dízimo, também o entregavam à Casa de Aarão (Nm 18,25-29), ramo principal dos mesmos levitas. Pode-se dizer que a Casa de Aarão detinha o sacerdócio pleno (Ex 28-29) e os demais levitas exerciam o sacerdócio auxiliar, entregues à Casa de Aarão em lugar dos primogênitos (Nm 3-8, "os doados"). A Bíblia esclarece assim que o dízimo é uma das oferendas, e que ambas significam ou representam a porção de herança da Terra Prometida devida à Tribo de Levi, (Nm 11-18) separada para o exercício perene do sacerdócio: a herança que lhes coube é o próprio Deus, significado no que Lhe é destinado no sacrifício:

"Iahweh disse a Aarão: 'Não terás herança alguma na terra deles e nenhuma parte haverá para ti no meio deles. Eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos Filhos de Israel" (Nm 18,20) 

"...os levitas não possuirão herança alguma no meio dos Filhos de Israel, visto que são os dízimos que os Filhos de Israel separam para Iahweh, que eu dou por herança..." (Nm 18,23-24)  

"Eis o que te pertencerá das coisas santíssimas, das oferendas apresentadas: todas as oferendas que me restituírem os Filhos de Israel, a título de oblação, de sacrifício pelo pecado e de sacrifício de reparação; são coisas santíssimas que te pertencerão..." (Nm 18,9).

Facilmente se percebe que as oferendas, dentre elas o dízimo, não eram pagamento nem donativo nem contribuição nem qualquer outro nome do que se dá gratuitamente, mas eram a herança da Tribo de Levi. Por isso a décima parte, o dízimo, em virtude das doze tribos, deduzida a deles, cada uma lhes entregava um décimo, recebiam com justiça o seu quinhão, completando-se a sua parte com as "cidades que cada tribo lhe daria em proporção com o seu quinhão" (Nm 35,1-8). Hoje não existe essa situação na Igreja, não havendo motivo para se falar em "dízimo ou décima parte". Por isso colocamos no título a palavra "dízimo" entre aspas. Também dízimo não se confunde com espórtula, esta significando as primícias que se entregava num cesto, como acima transcrito: são coisas distintas, pois a primícia é outra forma de oferenda. Dessa maneira, em vez de trabalharem a terra para a própria manutenção, trabalhariam "na seara do Senhor", a serviço de Deus. Não lhes era um pagamento, mas um direito advindo da eleição de que foram alvo: "separados" por Iahweh para o exercício do sacerdócio, centro gravitacional do Culto da Aliança (Ex 24,1-8). Sendo Iahweh o dono de toda a terra, dava Tribo de Levi a função do sacerdócio e todas as oferendas que Lhe eram destinadas e Lhe pertenciam (Ex 24,8, "...imolaram a Iahweh..."). Dessa maneira, torna-se a Tribo de Levi o ponto de convergência de toda a atividade material e espiritual dos israelitas: a comunidade do Povo de Iahweh unida pela Aliança e em obediência a Sua Vontade, em torno do Altar. 

Além das primícias e dízimos muitas eram as oferendas destinadas a Iahweh, tais como os primogênitos das vacas e ovelhas (Ex 22,29), a oblação (Lv 2), as vítimas (ou hóstias) dos sacrifícios (Lv 1-7; Nm 18), das quais algumas partes eram entregues aos sacerdotes. Essas oferendas não substituíam nem dispensavam o dever de cada um doar espontaneamente ofertas para a construção do templo; para o santuário e para as vestimentas para o sacerdócio (Ex 25,2...; 35,5...; 39,43); o siclo do santuário, a que cada um, sem distinção de classe, estava obrigado (Ex 30,11-16; Mt 17,24); os dons voluntários ou votivos (Dt 12,11; Mc 12,41) etc.. Uma não dispensa a outra, pois cada uma tem uma destinação e um objetivo adequado.

 

O SENTIDO RELIGIOSO DA OFERENDA

A Bíblia, por si mesma, não revela em uma simples leitura toda a sua dimensão cultural. Tendo sido escrita para os israelitas do tempo, seus condicionamentos culturais não necessitavam esclarecimentos, vividos que eram por todos. Para melhor se compreender isto basta um exemplo: imagine-se um escritor brasileiro descrevendo uma situação confusa de hoje, que use a expressão "'embananou' o 'meio de campo'". Para nós, culturalmente condicionados ao uso da expressão "embananou" e pelo "futebol", fácil é a compreensão do que quisera dizer o escritor. Mas, para um simples leitor daqui a quatro mil anos, que desconheça o "embananar", ser-lhe-á impossível, se não fizer uma análise mais profunda de nossa cultura, e relacionar a expressão com o efeito da "banana" e com as regras do "futebol". Da mesma forma, a Bíblia está repleta de narrações desse tipo, culturalmente condicionadas ao tempo em que foram escritas, exigindo análise mais atenta para se compreendê-las. Acontece o mesmo quando se busca compreender sentido religioso ou a teologia das oferendas na cultura israelita.  

Inicialmente é de se recordar, para um melhor raciocínio, a prática sistemática da entrega da herança da Tribo de Levi, que se constituía das oferendas para a casa de Aarão, o sacerdócio pleno, e dos dízimos para os demais levitas, o sacerdócio auxiliar. Tratando-se de entrega ao próprio Deus (cfr. abaixo: "...oferece o pão do teu Deus"), desfrutavam de uma importância espiritual e sagrada, equivalente à representação vicária de Iahweh entre as demais tribos, que se traduzia em profundo respeito e veneração em virtude da santidade sacerdotal:

"...o sacerdote é consagrado a seu Deus. Tu o tratarás como santo, pois oferece o pão do teu Deus. Será santo para ti, pois eu sou santo, eu, Iahweh, que vos santifico" (Lv 21,7c-8). 

Formava-se então, em torno do sacerdócio, verdadeira comunidade espiritual e mística das tribos israelitas, unindo, material e espiritualmente, todos e cada um de todas as tribos, uns com os outros, entre si e com os sacerdotes, e por meio destes com o próprio Iahweh. Além daquela já mencionada entrega das primícias em um cesto (Dt 26,2-4), há ainda outra prática sistemática culturalmente condicionada, quando se determina que se deve "comer" as oferendas:

"Não poderás comer em tuas cidades o dízimo do teu trigo, do teu vinho novo e do teu óleo, nem os primogênitos das tuas vacas e ovelhas, nem algo dos sacrifícios votivos que hajas prometido, ou dos teus sacrifícios espontâneos, ou ainda dons da tua mão, tu os comerás diante de Iahweh teu Deus, somente no lugar que Iahweh, teu Deus, houver escolhido, tu, teu filho, tua filha..." (Dt 12,17-18; leia-se também Dt 12,11-12; 14,22-26). 

A seguir literalmente esta perícope, o israelita que fosse entregar as primícias, o dízimo, os primogênitos, em suma, as oferendas, teria que "comê-las' no lugar escolhido por Iahweh Deus", nada entregando à Tribo dos Levitas da herança que lhe pertencia. Mas, o israelita de então compreendeu facilmente que Deus usara os termos do Ritual do Sacrifício. As oferendas destinada a Deus, deveriam ser consagradas ou santificadas no altar pelo sacerdote. Delas "comeriam" o ofertante e sua família, o sacerdote e "o próprio Deus":

"Em relação a Iahweh vosso Deus... buscá-lo-eis somente no lugar... escolhido... para ai colocar o seu nome e fazê-lo habitar. Levareis para lá vossos holocaustos e vossos sacrifícios, vossos dízimos e os dons de vossas mãos, vossos sacrifícios votivos e vossos sacrifícios espontâneos, os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas. E comereis lá, diante de Iahweh vosso Deus, ...vós e vossas famílias..." (Dt 12,4-7). 

É São Paulo quem esclarece com maior objetividade o sentido da manducação das oferendas, quando afirma:

"...os que comem as vítimas consagradas não estão em comunhão com o altar?" (1Cor 10,18). 

 

E Jesus confirma tudo isso quando, referindo-se ao Altar, diz:

"Cegos! Que é maior, a oferta ou o altar que santifica a oferta?" (Mt 23,19)

Ora, desde a Aliança do Sinai o sacrifício se torna o centro gravitacional do culto israelita, tendo sido até mesmo concluída com a aspersão de sangue no Altar e no Povo (Ex 24,4b-8). Nele as oferendas são "o pão do teu Deus" (Lv 21,8), santificadas no Altar, e "comendo-as", entra-se em comunhão com Iahweh. Então, não é outro o sentido religioso das oferendas, ou a sua teologia: Por meio delas, "comendo-as" num sacrifício, entra-se em comunhão com Iahweh.

 

AS   OFERENDAS   E   O   SACRIFÍCIO (2º parte)

A Bíblia nos mostra várias conotações dos sacrifícios israelitas, pelo que se torna indispensável o exame de algumas, mesmo superficialmente, para que se compreenda o que é um sacrifício e se fundamente a sua finalidade. Inicialmente, é de se mencionar o que poder-se-ia denominar de substituição, desde quando da entrega pelo próprio Deus de um cordeiro para ser imolado por Abraão no lugar de seu filho unigênito Isaac, eficazmente aceito (Gn 22,13.16). Usada também nos holocaustos (Lv 1,4), nos sacrifícios de reparação ou pelo pecado (Lv ,15-20.24-26.29-31.33-35  etc.), bem como nos sacrifícios de comunhão, de eficácia reconhecida:

Porá a mão sobre a cabeça da vítima... O sacerdote fará assim o rito de expiação para esse homem, e ele será perdoado" (Lv 4,29-31). 

A substituição de maior relevância que se conhece é a de Jesus Cristo, a vítima do pecado:

"Mas Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores" (Rm 5,8). 

Outra conotação subjacente ao sacrifício é a solidariedade, advinda da Aliança, de todos e de cada um dos membros do Povo de Israel, tanto no bem como no mal que a comprometesse. É o que retrata o episódio de Acã:

"Mas os filhos de Israel tornaram-se culpados de violação do anátema:
Acã... apoderou-se de coisas que estavam sob anátema; e a ira de Iahweh inflamou-se contra os filhos de Israel" (Jos 7,1).

Um só membro, de uma única tribo, violou a determinação de Deus e todos os filhos de todas as tribos de Israel caíram sob a ira de Iahweh, e perderam a batalha de Hai! Somente após o castigo do culpado é que se consegue conquistá-la (Jos 7,1-26). Aqui aparece a solidariedade no mal com a derrota havida com a transgressão e a solidariedade no bem com a vitória após o castigo do transgressor. Esta solidariedade vem também quando Deus poupa os israelitas por intercessão de Moisés (Ex 32,30-34), pela ação de Finéias em Fregor (Nm 25,10-11), na figura do Servo de Deus (Is 53,4-6.12) e várias outras passagens. Destaca-se a Obra da Redenção de Jesus que trouxe o bem, livrando-nos do mal que trouxe Adão. São Paulo resume essa noção de solidariedade, indispensável para a compreensão do sacrifício, ao dizer:

“E se as primícias são santas, a massa também o será; e, se as raízes são santas, os ramos também o serão” (Rm 11,16) 

Apenas estes dois elementos foram suficientes para os Israelitas de então compreenderem o sentido e o alcance da ordem de “comer as oferendas no lugar indicado por Deus”: somente uma parte delas seria “comida” e em “sacrifício”, significando-as em sua totalidade, para a santificação. À santificação da parte corresponderia a santificação do todo. “Comeriam-nas” o ofertante e sua família, o sacerdote e, com a queima de algumas partes delas, “o próprio Deus” (Lv 3,5,16 etc.), estabelecendo-se então a santificação de todos com a santificação da parte.

 

AS OFERENDAS, O SACRIFÍCIO E A SANTIDADE

Outros elementos existem, indispensáveis para a compreensão da necessidade espiritual da entrega das oferendas num altar. Deus se compromete com os Filhos de Israel, a partir da Aliança com o Patriarca Abraão, a torná-los "um reino de sacerdotes e uma nação santa" (Ex 19,6). Pode-se dizer que a santidade é o objetivo principal da Aliança, pois Deus é santo e tudo o que lhe pertencer deve ser santo:

"Sede santos, porque Eu, Iahweh vosso Deus sou santo" (Lv 1-2). 

Ninguém, porém, por si só, pode ser santo; é Deus quem santifica e Ele mesmo dá as normas para a santificação:

"Guardareis os meus estatutos e os praticareis, pois sou eu, Iahweh, que vos santifico" (Lv 20,8). 

Também especifica as normas rituais (Lv 1-7), as legais (Lv 11-16), as morais (Lv 17-23; Ex 20-23) e até mesmo as sacerdotais (Lv 8-10) para essa santificação, cujos princípios basilares podem se resumir em dois: 

1.      o primeiro já foi mencionado: só Deus é Santo e santifica o que lhe pertence, principalmente o Seu Povo; e,  

2.      o segundo: o comportamento de cada um e de todo o Povo de Iahweh reflete a Santidade de Deus, dada a exigência do cumprimento de normas de santidade de vida, corporificados no Decálogo e no Código da Aliança etc.. 
A Santidade é um atributo de Deus. No entanto, no Homem, mesmo sendo exigida a interior (Ex 20,17; Dt 5,21), é exteriorizada apenas pelo comportamento ou conduta. E é-lhe impossível ser santo como Deus o é. Pode refleti-la como num espelho, pelo seu comportamento ou conduta, seja familiar, seja profissional, seja social (Mt 5,16). Antes do pecado original, o Homem é a “imagem” de Deus (Gn 1,26; Sl 8,6; Sb 2,23; 2 Pe 1,4; Col 3,10; 2 Cor 3,18; Rm 8,29); após o pecado Adão gera um filho que “reflete” então a “imagem de Deus” comprometida, "imagem de Adão" (Gn 5,3), sem as perfeições naturais recebidas antes (Gn 1,26), não mais a mesma Santidade de Deus. O retor-no do Homem a Deus, à Vida em Graça, “refletindo” em si mesmo a santidade de Deus perdida, é obra da Redenção em Jesus Cristo que o faz Homem Novo:

"...os que de antemão ele conheceu, esses também predestinou a serem conformes à imagem de seu filho, a fim de ser ele o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8,29)

Essa Redenção estava "em germe" na Obra de Santificação e já se operava no Povo de Israel, "em figura". É a mesma dinâmica da solidariedade da parte com o todo:

"Israel era santo para Iahweh, as primícias de sua colheita" (Jr 2,3)

Com a Santificação das Primícias vai se operar a Santificação da Massa toda (Rm 11,16). Esta santificação está estreitamente vinculada à Aliança que Deus contraiu com o Povo no Sinai, que ratifica o comportamento fiel dos Patriarcas, “que andaram com Deus”: - Noé foi libertado da cor-rupção do mundo por ser “justo e andar com Deus” (Gn 6,9); os Patriarcas, libertos do paganismo, firmam uma Aliança com Deus (Gn 12,1; Jos 24,1-13); e, finalmente tirou o então formado Povo de Deus do Egito para dar-lhe a Terra Prometida, os Mandamentos e o Código da Aliança. Em cada uma dessas ocasiões foi oferecido um sacrifício com a aspersão do sangue no Altar e, por último, também no Povo:

"...depois que Moisés proclamou a todo o povo cada Mandamento da Lei, ele tomou o sangue de novilhos e de bodes... e aspergiu o próprio livro e todo o povo, anunciando: 'Este é o sangue da Aliança que Deus vos ordenou.' Em seguida ele aspergiu com o sangue a tenda e todos os utensílios do culto. Segundo a lei, quase todas as coisas se purificam com sangue; e sem efusão de sangue não há remissão" (Hb 9,19-22). 

Surge outro elemento integrante do sacrifício, o sangue que expia, e "sem a efusão dele não há purificação e remissão" (Lv 8,15.24.30; 9,15-18; 16,19; 17,11), aliado ao "altar que santifica a oferenda" (Mt 23,19), exigindo a consagração dos sacerdotes e dos utensílios para o culto (Ex 25-30), destacando-se:

"Oferecerás pelo altar um sacrifício pelo pecado, quando fizeres por ele a expiação, e o ungirás para consagrá-lo. Durante sete dias farás a expiação pelo altar, e o consagrarás; assim, o altar será santíssimo, e tudo que o tocar será santificado" (Ex 29,36-37). 

Depara-se com um ritual especial, a unção sagrada, e é o próprio Deus que determina o modo de prepará-la para os fins específicos da santificação de tudo, até mesmo dos sacerdotes:

"...farás um óleo para a unção sagrada... com ele ungirás... o altar dos holocaustos... consagrarás essas coisas e serão muito santas; quem as tocar ficará santificado. Ungirás também a Aarão e seus filhos e os consagrarás para que exerçam o sacerdócio em minha honra" (Ex 30,25-30). 

Conclui-se que pela unção sagrada santifica-se o altar e o sacerdote, oferecendo-se em seguida o sacrifício pelo pecado (Ex 29,36) para a eficácia do ato, eis que a vítima oferecida completa o ritual, pois sem a hóstia ou oferenda não há sacrifício, nem santificação. Só se completa o ato litúrgico com a “oferenda queimada em suave perfume de agradável odor a Iahweh” (Lv 3,5). Pela importância do sacrifício somente dele poder-se-ia participar quem estivesse em estado de pureza legal e de santidade (cfr. Lv 7,20-21; 11,44-45). Caso algo as comprometesse dever-se-ia purificar antes, conforme rituais específicos (Lv 11,25.28.32.40). No caso da santidade violada havia ainda os sacrifícios: o holocausto, o sacrifício de expiação ou o sacrifício de reparação ou o sacrifício pelo pecado. Impunha-se as mãos sobre a cabeça da vítima perfazendo-se a substituição do ofertante por ela (Lv 1,4). No holocausto a vítima toda é queimada [o fogo, desde Abraão, significa o próprio Iahweh (Gn 15,17)], por ninguém comida, estando eivada pelo pecado do ofertante. Já nos sacrifí-cios pelo pecado algumas partes eram comidas apenas pelos sacerdotes e outras queimadas (Lv 6,19.23). Não é a estes tipos de sacrifícios que Iahweh se refere quando determina a manducação das oferendas. 

O Israelita compreendeu, sem esforço algum, que Iahweh se referia à refeição sagrada ou  sacrifício de comunhão, do qual todos “comem” (Lv 3,1-7), quando determinou que “as oferendas as primícias e o dízimo fossem comidas” (Dt 12,17-18; leia-se também Dt 12,11-12; 14,22-26)., e muito mais ainda. Compreendeu que, além da comunhão que se estabelecia, acontecia a santificação do todo pela santificação da parte. A partir da santificação da oferenda estabelecia-se a dos partici-pantes do sacrifício, do ofertante e sua família e seus convidados, e até mesmo a tribo e todo o Povo de Israel: pela entrega da herança de Levi ao sacerdote e em se “comendo” das coisas santificadas tonava-se santificado e em comunhão uns com os outros e com Iahweh.

 

A  TEOLOGIA  DAS  OFERENDAS (3º parte)


Tudo isso explodiu no Cristianismo sem dificuldades ou óbices de qualquer espécie. Cristo nunca se referiu à fundação de nova religião, nem insinuou uma vez sequer uma separação do judaísmo. Os Apóstolos e os primeiros cristãos continuaram freqüentando o templo e as cerimônias litúrgicas dos judeus (Lc 24,53; At 2,46; 3,1 etc.). O próprio Jesus dissera:

"Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um "iota", nem um "til" da Lei, sem que tudo seja realizado" (Mt 5,17-18).

Por causa dessa afinidade e continuidade, todo o aculturamento religioso que não conflitava com a doutrina de Cristo penetrou nos rituais litúrgicos da Igreja. Principalmente na Fração do Pão, a Eucaristia, de que os sacrifícios israelitas eram "figura" (1 Cor 10,6.11; Rm 15,4; Hb 9,24; Gl 4,24-26):

"Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56). 

"...Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: 'Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim.' Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: 'Este cálice é a nova aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim" (1 Cor 11,23-25). 

Jesus se apresenta como a vítima, a própria oferenda, a essência de todo o sacrifício e desde o Antigo Testamento fonte da comunhão do Homem com Deus. Quando anuncia a Ceia Eucarística (Jo 6) os judeus arrepiam-se ao ouvirem-no falar em "comer a sua carne" e "beber o seu sangue".  

Compreenderam, aculturados tal como seus antepassados, que Jesus seria a vítima ou hóstia do sacrifício (Jo 6,69). Da mesma forma sentiram profunda aversão, culturalmente comprometidos, com a modificação em "beber o sangue", o que lhes fora sempre vedado (Lv 12,16.23). O sangue era considerado "a sede da vida":

"Porque a vida da carne está no sangue. E este sangue eu vo-lo tenho dado para fazer o rito de expiação sobre o altar, pelas vossas vidas; pois é o sangue que faz a expiação pela vida" (Lv 17,11). 

Já os primeiros cristãos compreenderam que o sacrifício que lhes era entregue era o de comunhão, pois dele comeriam todos, tal como na refeição sagrada, e ao "beberem o sangue" beberiam a "Vida de Cristo". Tanto é assim que São Paulo o compara com os sacrifícios pagãos distinguindo-os do sacrifício israelita (1 Cor 10,14-20). Destaca além do caráter sacrificial dele, também o caráter sacramental pela "comunhão com o corpo e com o sangue do Senhor" (1 Cor 10,16), dEle recebendo a vida divina, a graça:

"Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim..." (Jo 6,57). 

 Receber a Vida de Cristo é santificar-se, "cumprindo em plenitude o que os sacrifícios antigos prefiguravam" (Hb 9,9-14). Jesus vincula o seu sacrifício à Aliança do Sinai (Ex 24,8), "cumprindo-a" (MT 5,17-18):

"Este é o Cálice da Nova Aliança em meu Sangue..." (! Cor 10,25). 
"Este é o Sangue da Aliança que Iahweh fez conosco..." (Ex 24,8). 

Assim, cada vez que se celebra a Eucaristia e se come e se bebe o corpo e o sangue do Senhor, o sangue dEle é aspergido em todo o "corpo místico de Cristo", a Igreja (Ef 1,22-23; Col 1,18), "santificando-o". "Perpetua" a Aliança de Moisés (Ex 24,8) e o "sacrifício da cruz" (Sacrosanctum Concilium n.º 47). Jesus é o "Santo de Deus" (Jo 6,69). 

Não há um só elemento “em figura” nos sacrifícios israelitas que não esteja “em plenitude” no Sacrifício da Eucaristia. Para Ela é que se convergem, da mesma forma, as oferendas, não mais como a herança de uma tribo ou sacerdotal, mas a herança do Corpo Místico de Cristo em toda a plenitude. É também, até mesmo pela simples entrega delas, a unificação de todos, material e es-piritualmente, santificando-se na oferenda consagrada, ao comer cada um e todos a hóstia (=vítima) santa, antecipando-se o Banquete Messiânico (Lc 22,18; 1 Cor 11,26) da Comunidade Eclesial en-tão formada, pela manducação do Corpo do Senhor. Jesus é a própria oferenda, não como entre os Israelitas onde Deus se significava nela para alimentar uma tribo; agora é o próprio Jesus Res-suscitado, o Filho de Deus Vivo, o Santo de Deus, que alimenta o Seu Próprio Corpo, unificando-O e santificando-O:

"Já que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão ... aqueles que comem as vítimas sacrificadas não estão em comunhão com o altar?" (1 Cor 10,17). 

Com as oferendas depositadas no altar durante o Ofertório, na consagração da hóstia, atinge-se a comunhão com Deus e com os irmãos, no Corpo Místico de Cristo e recebendo o próprio Cristo, no corpo e sangue, o cristão volta a refletir a "imagem de Deus" perdida pelo pecado:

"E nós que, com a face descoberta refletimos como num espelho a Glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente, pela ação do Senhor, que é Espírito" (2 Cor 3,18). 

De tudo o que foi exposto conclui-se que a oferenda é um culto a Deus, a participação do “trabalho humano”, tal como se diz no início da Missa, na constituição material da vítima (=hóstia) consagrada, a oferenda santa por excelência, o próprio Corpo e Sangue de Cristo, a essência do sacrifício, a unificação, centro e ápice da comunhão e santificação da Igreja, em plenitude. Com a oferenda se participa na Obra de Santificação de todo o mundo pela santificação de uma parte. É ser vítima consagrada com Cristo, em união plena e indissolúvel. Faz-se parte de toda a atividade da Igreja tal como o Catecismo enseja, participando de toda a satisfação das “necessidades dela, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação de seus ministros”. Além de vítima ou hóstia o fiel deve ter consciência da sua participação também em todo ato litúrgico, tanto nos demais sacramentos, onde está presente materialmente com o fruto dos rendimentos de seu trabalho, bem como em toda e qualquer obra da ou ato Igreja, sem outro interesse que a comunhão com Deus, nunca a espera de qualquer recom-pensa ou fortuna. Não é um negócio que faz com Deus, é um ato litúrgico, um culto.


O   QUE  A   OFERENDA   NÃO  É

·         Não é "dízimo": assim denominá-la é minimizá-la, e encará-la "apenas" como solução dos problemas econômico-financeiros da comunidade ou como meio de sustentação do clero ou do culto; é desvirtuá-la, desviando-a de sua finalidade precípua e fundamental de meio por excelência de comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. A oferenda é um culto a Deus, um ato litúrgico praticado pelo Homem Todo na Comunidade Eclesial, que assim se santifica oferecendo o seu trabalho para a santificação de toda a Igreja e do mundo todo, doando-se a si mesmo e tornando-se vítima com Jesus.

·         Não tem um valor estipulado em porcentagem, mas deve, "conforme as possibilidades de cada um, prover às necessidades da Igreja, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação dos seus ministros", o que indica a transparência com a mais ampla divulgação do plano pastoral e plena participação de cada um, conforme a sua própria vocação pessoal, bem como o orçamento e a receita da paróquia.

·         A oferenda não isenta o fiel de outras participações, até mesmo de caráter extraordinário que possam ocorrer ou de qualquer outra natureza, necessárias e concernentes para a vida comunitária. Não se confunde com os deveres individuais de caridade nem os substitui ou anula, nem ainda com as obrigações sociais de cada pessoa ou obras de misericórdia. Também não substitui a espórtula, que ocupa o lugar das primícias devidas a Deus, que, por sua vez, também não se confunde nem impede a participação com oferendas voluntárias ou votivas

·         A oferenda não é uma doação, deve ser entregue, é um direito da Igreja (Mt 10,10; 1Cor 9,11-14). Não pode ser objeto de nenhuma organização de controle ou fiscalização, no que vai contrariar a vivência do fiel no seu conteúdo doutrinário. Estará "pagando", não "comungando", nem "cultuando". 

·         "Deus não faz acepção de pessoas" (Dt 10,17; At 10,34; Rm 2,11; Gl 2,6; Ef 6,9; Cl 3,25; Tg 2,1; 1Pe 1,17), não cabendo a classificação meritória de "dizimistas", por vários outros motivos: 

§         Contraria toda a "teologia comunitária" da oferenda, com a qual se estabelece pela própria natureza dela a vida em comunhão com Deus e com todo o Povo de Deus pelo sacrifício.

§         Fere a realidade do Corpo Místico de Cristo, que não é uma figura de ficção. Qualquer contribuição pessoal, por mais individual que seja, é a participação de todos na santificação dos membros, principalmente aqueles que nada possuem e não podem doar nada, devendo ser muitas vezes objeto da "misericórdia" da comunidade de fiéis. Apesar dessa situação deles, também participam igualmente do Corpo Místico de Cristo (Fl 1,12; 3,10; Cl 1,24; 1Cor 10,16; 2Tm 1,8).

§         Estabelece uma distinção que não pode existir no Sacrifício Missa ou Eucaristia, pois sendo a oferenda um culto que a Igreja presta a Deus, estabelece-se neste culto uma discriminação comunitária. Não se deve perder de vista que uma das "virtudes" que o fariseu apontou contra o "publicano" da Parábola foi o de "pagar o dízimo de todos os seus rendimentos" (Lc 18,12) e nem por isso foi justificado...

·         A oferenda deve ser entregue em virtude de seu sentido espiritual e religioso, sem outro interesse que o litúrgico, um culto, sentindo o fiel a sua participação no Sacrifício de Cristo como Hóstia ou Vítima, um só Corpo com Ele, não se insinuando na Igreja o sentido material desligado do religioso, para também por esse meio se santificar e se sacramentar o humano. 

 

O DÍZIMO  E A IGREJA QUE QUEREMOS

Povo de Deus: O dízimo nos leva ser mais Igreja. Passamos a compreender nossa importância nesta grande família. Os padres são muito importantes e necessitamos deles, como orientadores, como engenheiros da grande obra. Os leigos, no entanto, é que devem tornar possível a grande construção. Uma Igreja de unidade e trabalho onde todos participem, cada um cumprindo seu papel sem distinções. Todos são vitais para o crescimento da Igreja.

Uma Igreja popular: Que o dízimo possa realizar em nossas comunidades a opção preferencial de Cristo e da Igreja pelos pobres. Que os mais simples se encontrem e se sintam amados e membros ativos nas comunidades cristãs. Que não tenhamos uma Igreja de elite financeira ou intelectual, mas de irmãos que amam a Deus e O servem.

Uma Igreja ativa: O dízimo é capaz de transformar pedra sem valor em diamante. O cristão consciente, dizimista, deixa de ser número para ser membro ativo, deixa de ser lâmpada apagada e passa a iluminar a realidade. Não nos preocupemos com a quantidade de cristãos, e sim com a qualidade deles. Ser dizimista é dar passos de qualidade na vida da comunidade.

Uma Igreja comunidade: Que o dízimo nos ensine a olhar os nossos irmãos da Igreja como singulares, únicos. Para cada coração um cuidado, para cada família uma palavra. Que as pequenas comunidades de bairro, ruas, vilas sejam motivadas para o estudo e a encarnação do evangelho.

Uma Igreja cristocêntrica: Que a dinâmica do dízimo em cada comunidade leve ao seu centro, à pessoa de Cristo. Jamais podemos esquecer de que Ele é a razão de estarmos ali. Os santos têm seu lugar na Igreja, como exemplos de caminhada e vitória sobre o pecado, mas é Cristo o Caminho, a Verdade e a Vida.

Uma Igreja de cristãos: Padre sozinho não é Igreja. Que cada leigo assuma seu compromisso de batizado ocupando seu espaço dentro da Igreja, não apenas nas críticas ou ajudas financeiras, mas atuando como agente formador e transformador na comunidade.

Uma Igreja carismática: Que o Espírito Santo seja o farol, o norte de nossas comunidades, realizando em nossos corações seus feitos, e que seus frutos, bem como seus dons, de modo especial a caridade, realizem novo ardor missionário no projeto da evangelização.

Uma Igreja pluralista: Que o amor seja o elo de unidade de nossa Igreja, que todos tenhamos um mesmo ideal e que todos trabalhemos para o mesmo fim, sem contudo sermos iguais. Que as semelhanças nos unam e que as diferenças de linguagem e método ajudem no enriqueci mento de nossas comunidades. A prática do dízimo leva ao respeito mútuo e nos dá a liberdade de expressão. Ser Igreja é muito mais que ser sócio de um clube.

Uma Igreja ecumênica: Que aprendamos também com o dízimo o livre diálogo com nossos irmãos protestantes; que estejamos abertos para criar pontes entre todos os membros desta imensa família que crêem Deus e em Jesus Cristo Libertador.

Uma Igreja pobre: O dízimo é uma fonte inesgotável de lições de desapego. Que possamos viver uma Igreja despojada e simples. Que possamos, na falta de templos, fazer de cada casa, garagem, barracão a Igreja dos pobres, celebrando a vida entre os irmãos.

Uma Igreja peregrina: O dízimo encaminha-nos rumo ao terceiro milênio. Indo de encontro aos homens, de qualquer nação, estamos no rumo certo. Que possamos dar passos cada vez mais corajosos e audazes na implantação do Reino no mundo. Uma experiência de Gentes - ao encontro de todos os povos - transforma o mundo.

Uma Igreja missionária: A missão da Igreja é anunciar a presença do Reino de Deus no mundo dos homens. Para tal deve enviar homens evangelizados a todos os setores da sociedade em todas as partes do mundo, realizando o grande projeto de Cristo: a libertação por meio da verdade: “a verdade vos libertará”.

Uma Igreja dinâmica: O desafio da Igreja moderna é estar à frente das exigências dos nossos tempos. Para isso não pode ser estática, presa as estruturas e sistemas. É necessária muita criatividade e movimento constante. Ser atual em sua forma de comunicar, tendo como raiz a verdade evangélica.

Contribuir com o dízimo é eliminar o pagamento de taxas por ocasião da administração dos sacramentos. Na medida que o dízimo vem sendo implantado e consegue satisfazer as necessidades da Paróquia, as taxas serão eliminadas, são superadas gradativamente.

 

 DÍZIMO: FRUTO DA  CONSCIÊNCIA 

A prática de ofertar originou-se no principio da criação do mundo, quando Caim e Abel ofereceram a Deus parte dos seus frutos do seu trabalho (Gên 4,3-4), e Deus olhou com agrado para a oferta de Abel e sua oblação; pois ofereceu o melhor se si, ou seja, os primeiros frutos. Noé (Gen 8,20-22); Abraão (Gen 14,17-22): Jacó (Gen 28,20-22 – Gen 35,1-8.14); Moisés (Ex 25,1-9); Tobias (Tb 1,6-8); ofereceram sacrifícios, votos e seu dizimo como reposta ao compromisso e bênçãos recebidas. Ao longo dos anos, Deus foi revelando ao seu povo práticas para a oferta do Dízimo o, que hoje as servem para nós. Jesus, também valorizou esta prática (Mt 23,23).
O Dízimo é Santo e é a décima parte do nosso trabalho, que pertence a Deus e a Ele devemos devolver (Lev 27, 28-32). É um ato de amor e de fé consciente.
O Dízimo não é tudo na vida do cristão, mas ser cristão e não ser dizimista é muito pouco. O cristão faz parte de uma família.
Na família os pais sustentam os filhos até quando eles mesmos começam a trabalhar e ter seus próprios rendimentos. A partir daí os filhos começam a dar a sua contribuição, na proporção de seus ganhos.
Imagine uma família em que isto não aconteça! Se um dos filhos não se interessa em estudar, não se dispõe a trabalhar e não quer compromisso com nada, este filho com certeza gerará problemas para os demais, ou para a família.
Na família cristã, na Comunidade, cada membro deve participar e contribuir na proporção de seus rendimentos e do seu crescimento espiritual. Desta forma a comunidade cresce e se multiplica, e vai se realizando o projeto de Evangelização de Jesus: “Ide pôr todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”.(Mc 16, 15).
Quem leva a sério as Palavras de Jesus Cristo, e reconhece a importância da presença de Deus em sua vida, tem consciência de que o DÍZIMO é algo muito sério, importante e necessário.
Desta forma é que devemos ofertar o nosso dízimo, com alegria e gratidão, como manifestação de nossa fé e expressão forte que estamos integrados numa comunidade. A principio, ele deve ser doado na comunidade que residimos, como sinal de compromisso a esta comunidade.
Portanto, é nossa a responsabilidade de colaborar para que a comunidade cresça, a fim de que ela se torne forte na fé, viva e unida, evidenciando-se assim os traços comunitários, autênticos, como nos relata nas virtudes dos primeiros cristãos (At 2,42-27 - At 4,32-35).
O Dízimo é uma experiência Bíblica, um gesto de amor, ternura e bondade (Lc 6,27-38). É necessário um mínimo de compreensão da Palavra de Deus, para que se possa buscar, educar a fé e descobrir a verdadeira dimensão do dízimo.
Existem outras formas de contribuir: através da Oferta e da Esmola.
Oferta é um presente que se dá a Deus, vinda do coração; de forma espontânea e com amor.
Esmola é tudo aquilo que você dá a alguém, sem esperar nada em troca. Quem der aos pobres, não passará necessidade, mas quem fecha os olhos aos pobres, ficará cheio de maldições (Prov 28,27).
Podemos até imaginar que as frases “Deus lhe pague” e “Deus te abençoe”; são repostas de Deus quando ajudamos os irmãos mais necessitados.
Deus cumpre suas promessas e derrama bênçãos além do necessário (Mal 3,8-12). Ele nos abençoa e da mesma forma, nos afasta das maldições (Deut 26,1-68). Com isso, tem curado um dos maiores males da humanidade: O egoísmo.
O homem nasceu para ser próspero e fecundo e isso é como encontrar um grande tesouro. A Palavra de Deus, nos dá à “receita” para isso (Gen 35,11 - Deut 8,1-20 - Deut 29,9 - ICr 22,13).

É importante que façamos uma avaliação de nossa vida, pois a religião não consiste apenas em ritos, costumes e teleologia. Nem é apenas um tipo de culto ou de boas ações. A palavra Religião significa: re-ligar, tornar a ligar nosso coração a Deus, desapegando-se de tudo o que escraviza e dando prioridade a Deus.

‘‘Esse é o caminho para encontrar e experimentar o verdadeiro Deus, pois sua Palavra não falha, nunca falha!. Deus não nos abandona e nos ama imensamente. Concluindo, salientamos que o Dízimo é uma experiência muito forte com Deus. Quem faz essa experiência, com certeza poderá sentir as promessas de Deus ser cumprirem (Mal 3,10-12).

Fazei a experiência...! Só depende de você!

 

A FÉ, A PARTILHA E O DÍZIMO

A fé é o fundamento da esperança; é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados. Pela fé, reconhecemos que o mundo foi formado pela Palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível 
(Hb 11,1-3).

A fé é meio indispensável para nos relacionarmos com a Salvação de Jesus. Certamente só Jesus Salva, mas o meio pelo qual a salvação chega a nós é a "FÉ" (At 10,43; Rm 5,1-2).

Esta fé, "um dom de Deus", é a força e alimento na caminhada do homem. Assim, cuida de si, das coisas de Deus e do seu plano. Com a fé, crê-se, acredita e confia nas obras do Reino.

O plano do Reino se alicerça da fé, do crer, se doar, do amor e da partilha. Por isso, confiantes em Deus é infinitamente gratificante saber que Ele nos recebe, recebe nosso amor e nossa partilha. Pela partilha, acolhe o dízimo como um presente que o agrada e o deixa feliz; a exemplo da oferta da viúva (Lc 21,1-4).

- O dízimo é a devolução a Deus, daquilo que já é de Deus.

- O dizimo não é imposto, taxa, pagamento, contribuição, porque ele não precisa; Não é resto do que sobra que oferecemos, mas nosso dízimo é exatamente a resposta da fé, do amor, obediência e reconhecimento; pois tudo o que somos e que temos, vem D’Ele.

- O dízimo é uma atitude de fé. É consciência de que uma parte dos nossos rendimentos é de Deus e, conseqüentemente da comunidade. Por isso, ele é devolvido para manutenção da Paróquia, sustento do culto, sacerdotes, bispos, seminários, das missões e da ação social da Igreja.

- O dizimo significa o exercício da fé. Mas, só haverá compreensão do seu verdadeiro espírito e sentido, quando acontecer de forma pessoal uma experiência profunda, diante da essência e o mistério do Criador, quanto a "partilha".

A partilha é uma resposta de amor á Palavra de Deus. É um caminho que direciona o homem a experiência do dizimo.

Além da sua devolução; seria necessário que cada um entendesse profundamente esses ideais de Deus: "reinar partilha e igualdade no seio do povo e na Igreja". Esse é o projeto e propósito de Deus, para a humanidade e sua Igreja.

O segredo da partilha esta na fé, na obediência da Palavra de Deus, e no desejo de se ver um mundo renovado, um povo, uma comunidade, uma Igreja, viva e alegre (At 2,42-47; At 4,32-35; ITim 6,17-19).

Se nosso coração ainda não se abriu de verdade na DEVOLUÇÃO DO DIZIMO é preciso pedir fé e sabedoria que vem d’Ele.

- É preciso pedir fé total, sem reservas, que penetre no coração, no pensamento, na maneira de julgar as coisas divinas e humanas.

- É preciso pedir uma fé que seja forte, que não tema os problemas, a oposição daqueles que contestam, a atacam, a recusam e a negam. Mas, que nossa fé resista do desgaste, da critica, que ultrapasse as dificuldades espirituais e temporais, permanecendo constantemente firme no Senhor Jesus.

Enfim, só entenderemos o valor e a dimensão da partilha "do dízimo"; quando nossa fé for viva, alegre, autêntica, atuante, envolvida da caridade, justiça, humildade, paz, dócil à Palavra de Deus e alimento da nossa esperança.

Diante do contexto da fé, que o dízimo possa nos educar mais ao amor, a misericórdia, justiça e ao plano da partilha. Seremos assim mais generosos e Deus será mais generoso conosco.

Com a proteção de Deus, as bênçãos de Jesus, iluminados pelo Espírito Santo; seremos um só povo (Jô 17,21); para o bem do próprio povo; pois o dizimo que devolvemos a Deus, doamos a nós mesmos "o povo amado e querido de Deus".
Que assim seja, hoje e sempre. Amém!

 

Voltar

 
 
Paróquia São Benedito - praça Joaquim Bastos. s/n         Fone: (88) 3626-1280